
No início desta semana, a Meta chegou a um acordo em um processo movido por uma coalizão de procuradores-gerais de estados americanos e pelo Distrito de Columbia, que alegava que os produtos da empresa — especificamente Facebook e Instagram — eram prejudiciais às crianças. Uma semana após o início do julgamento, a Meta concordou com um acordo que exigiria o pagamento de uma multa de até US$ 17 bilhões, além da adoção de uma série de medidas de segurança para usuários de 17 anos ou menos.
As determinações são abrangentes. Crianças terão acesso ao Facebook e ao Instagram por apenas duas horas por dia, e os aplicativos serão bloqueados entre meia-noite e 6h. Além disso, as notificações serão silenciadas durante o horário escolar (das 8h às 15h nos dias úteis durante o período letivo), filtros de procedimentos estéticos serão desativados, curtidas e números de reações serão ocultados, e os jovens terão a opção de usar um feed não algorítmico — ou seja, as publicações das contas que seguem aparecerão na ordem em que foram feitas, em uma espécie de retorno aos primeiros dias das redes sociais. Eles também serão obrigados a implementar algum tipo de processo de verificação de idade, embora ainda não se saiba exatamente como isso funcionará.
De modo geral, especialistas dizem que as mudanças são positivas, desde que a empresa cumpra o acordo e o auditor independente — outra das determinações previstas — consiga desempenhar seu trabalho de maneira eficaz. “Dessa longa lista de mudanças no design que a Meta concordou em implementar, muitas estão alinhadas com as pesquisas”, explica Kris Perry, diretora-executiva da Children and Screens: Institute of Digital Media and Child Development, organização sem fins lucrativos que estuda os efeitos da tecnologia sobre crianças. “As que mais estão alinhadas são os limites de tempo, o modo noturno, o modo escolar, a garantia de idade e o controle do feed algorítmico, a reprodução automática e a ocultação das curtidas. São justamente essas medidas que os pesquisadores vêm defendendo há anos, dizendo que elas criaram alguns dos casos de uso mais problemáticos entre crianças.”
Agora, diz Perry, o importante é começar a estudar como essas modificações vão mudar a maneira como as crianças interagem com os aplicativos. “Para garantir que o produto seja o mais seguro possível, seria necessário iniciar um novo estudo agora mesmo, para estabelecer uma linha de base”, afirma.
Candice Feinberg, psicóloga clínica e cofundadora dos ROWI Teen and Parent Wellness Centers, que trabalham com famílias que enfrentam problemas relacionados às redes sociais, também considera as mudanças positivas. “Acho que são ótimas ideias”, diz Feinberg. “Essa é uma das coisas que eu gosto em todo o acordo. Todo brinquedo vem com instruções, certo? O fato de não termos tido nenhuma estrutura para as crianças em relação às redes sociais tem sido um problema.”
Ela destaca a mudança no algoritmo como particularmente útil. “Não ter um algoritmo me lembra de quando [as redes sociais] surgiram, [quando] eram apenas nossos amigos, então acho ótimo”, afirma Feinberg. Hoje, quando as crianças clicam em um link — mesmo que tenha sido por acidente ou como parte de uma pesquisa para um trabalho escolar — começam a receber outras publicações sobre o mesmo assunto. “Se esse conteúdo for negativo, terá um efeito enorme sobre a sua saúde mental”, diz. “Se você é constantemente bombardeado por imagens negativas ou declarações baseadas no medo, isso é difícil para os adultos, quanto mais para as crianças.”
Mick Tobin, cofundador da Young People’s Alliance — que descreve como “a AARP dos jovens” — comemora as mudanças, especialmente as relacionadas ao feed algorítmico. “Os jovens com quem converso pegam o celular, veem um vídeo, por exemplo, de uma pessoa fazendo dieta, e então, de repente, as dez publicações seguintes são todas sobre como ficar magro e como ser magro está na moda”, conta. Ao eliminar esse direcionamento algorítmico, Tobin espera que as redes sociais possam voltar a ser um espaço onde as crianças interajam e encontrem uma comunidade, sem precisar se preocupar com o fato de que assistir a um único vídeo pode mudar completamente o conteúdo que verão em seguida.
Ele também considera positiva a decisão de ocultar curtidas e reações: “Muitos jovens, inclusive eu, cresceram muito conscientes de ‘quantas curtidas minha publicação recebeu?’. Se eu não receber uma determinada quantidade de curtidas, meu valor, de alguma forma, diminui.”
Uma medida que Tobin não acredita que será muito eficaz é o limite de duas horas. “Não diria que sou necessariamente contra os limites de tempo, mas também não sou necessariamente a favor deles”, afirma, destacando que se trata de um problema complexo. O dilema é o seguinte: por um lado, recursos como a rolagem contínua podem prender as crianças às telas por horas; por outro, elas deveriam ter o direito de acessar esses aplicativos no próprio ritmo. Além disso, quando são informadas de que não podem acessar algo, as crianças tendem a procurar uma maneira de contornar a restrição. “Os jovens não gostam quando você diz que eles não podem fazer alguma coisa”, observa.
A questão que permanece é como os aplicativos vão determinar quem tem 18 anos ou mais nas plataformas. Atualmente, jovens a partir dos 13 anos podem criar contas para adolescentes, mas, segundo as novas diretrizes, a empresa é obrigada a “implementar medidas robustas de garantia de idade para detectar usuários menores de 18 anos”. Embora não esteja claro como fará isso, os especialistas ouvidos pela Rolling Stone observaram que a empresa já consegue fazer isso de maneira eficaz para direcionar anúncios. “Para verificar a idade, às vezes é necessária uma fotografia, impressão digital ou outro tipo de identificação da criança”, explica Perry. “No entanto, está bastante documentado que, sem essas informações, o sistema tem sido razoavelmente preciso ao estimar a idade das crianças até o momento.”
Tobin também alerta que isso deve ser encarado como um começo, não como um fim e, enquanto outros processos continuam tramitando nos tribunais, o foco deveria estar em pressionar os legisladores a promover mudanças que alcancem toda a indústria. “Precisamos garantir que as pessoas não enxerguem isso como se o trabalho estivesse concluído”, afirma. “Precisamos tratar isso como uma falha do Congresso, porque, se o Congresso tivesse aprovado medidas de proteção anos atrás — como teve a oportunidade de fazer —, não precisaríamos de processos que levam vários anos e custam dinheiro dos contribuintes para, de fato, fazer essas empresas tomarem alguma atitude.”
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Publicado por: Elisabeth Garber-Paul




