
A relação entre cinema e cinema — seus bastidores, suas possibilidades e, principalmente, suas transgressões — está no centro da 4ª edição da Mostra Amor ao Cinema, que acontece de 9 a 26 de setembro, no CineSesc, em São Paulo. Com 52 filmes, a programação se divide entre os eixos Filmes sobre Cinema, dedicado a obras que refletem sobre a criação audiovisual, e Filmes de Ruptura, que reúne produções que desafiaram padrões narrativos, estéticos e sociais. O evento também terá parte da programação disponível gratuitamente para todo o Brasil pela plataforma Sesc Digital, entre 11 de setembro e 11 de novembro.
A abertura acontece em 9 de setembro, às 20h, com a exibição de A História dos Documentários: Introdução, de Mark Cousins, em sessão gratuita e inédita no Brasil. O cineasta, conhecido também por A História do Cinema: Uma Nova Geração, percorre a trajetória do documentário e recupera filmes fundamentais e obras menos conhecidas para discutir como o gênero se tornou uma ferramenta de observação e interpretação da realidade. A seleção dedicada ao cinema inclui ainda títulos como Arquivo Vivo, de Vincent Carelli e Ana Carvalho; Filmar ou Morrer, de Lúcia Nagib; Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes; A Negação do Brasil, de Joel Zito Araújo; The Watermelon Woman, de Cheryl Dunye; e Blow-Up – Depois Daquele Beijo, de Michelangelo Antonioni.
O segundo eixo amplia a proposta ao reunir filmes que fizeram da ruptura uma forma de criação. Entre os destaques estão Desejo e Obsessão, de Claire Denis; A Garota Negra, de Ousmane Sembène; As Pequenas Margaridas, de Věra Chytilová; A Mulher Sem Cabeça, de Lucrecia Martel; Uma Mulher Sob Influência, de John Cassavetes; e Eles Vivem, de John Carpenter. A programação também recupera obras fundamentais da história do cinema, como Metrópolis, de Fritz Lang; Quando Fala o Coração, de Alfred Hitchcock; e O Encouraçado Potemkin, de Sergei Eisenstein. Este último terá duas sessões especiais: uma com a ambientação musical criada pelo Pet Shop Boys e outra com a trilha de 1976 composta a partir de trechos das sinfonias de Dmitri Shostakovich.
O cinema brasileiro ganha espaço significativo na mostra, tanto no eixo dedicado ao próprio fazer cinematográfico quanto entre as obras de ruptura. Alma no Olho, de Zózimo Bulbul, utiliza corpo e mímica para refletir sobre a experiência negra no Brasil, enquanto Limite, de Mario Peixoto, aposta na fragmentação e nos flashbacks para construir a narrativa de seus personagens. A programação ainda homenageia Fernando Coni Campos, com Ladrões de Cinema e o documentário Fernando Coni Campos: Cada Um Vive Como Sonha, de Luís Abramo e Pedro Rossi. Entre as atividades especiais está ainda uma sessão comentada de Histórias que Nosso Cinema (Não) Contava, com a diretora Fernanda Pessoa, dedicada à pornochanchada e às discussões sobre censura, comportamento e mercado no cinema brasileiro.
Um dos destaques mais inusitados é a homenagem ao cineasta underground John Waters, com uma sessão de Polyester que recupera o Odorama utilizado no lançamento original do filme. O público receberá uma cartela com aromas para serem liberados nos momentos indicados durante a projeção, transformando a experiência em uma espécie de cinema sensorial. Para o público infantil, o tradicional CineClubinho apresenta as animações francesas Maya, Me Dê um Título, de Michel Gondry, e Príncipes e Princesas, de Michel Ocelot. Já no Sesc Digital, oito filmes estarão disponíveis gratuitamente, incluindo os documentários brasileiros Humberto Mauro, Mazzaropi – O Cineasta das Plateias e O Coringa do Cinema, além de obras de Chantal Akerman, como Não é um filme caseiro e Os encontros de Anna.
Os ingressos podem ser adquiridos nas bilheterias do Sesc São Paulo, pelo aplicativo Credencial Sesc e pelo site de relacionamento do Sesc. Confira a programação completa clicando aqui.
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Publicado por: Angelo Cordeiro (@angelocordeirosilva)








