
- No sábado, Os Paralamas do Sucesso com “Selvagem?” (1986); Titãs com “Cabeça Dinossauro” (1986); Paulo Ricardo com “Rádio Pirata Ao Vivo”, do RPM (1986); e Plebe Rude com “O Concreto Já Rachou” (1986);
- No domingo, Marina Silva com “Fullgás” (1984); Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá com “Dois”, da Legião Urbana (1986); Blitz com “As Aventuras de Blitz” (1982); e Ira! com “Vivendo e Não Aprendendo” (1986).
5) Os Paralamas do Sucesso
A revisitação a “Selvagem?” foi um dos grandes atrativos do lineup do C6 no Rock, seja pelos Paralamas do Sucesso não serem tão adeptos a turnês com álbuns na íntegra, ou por algo um tanto simples: foi a única banda a tocar com a mesma formação que gravou o disco, ao menos em relação ao trio oficial composto por Herbert Vianna (voz e guitarra), Bi Ribeiro (baixo) e João Barone (bateria). Oportunidade única para se ouvir faixas esquecidas como “A Dama e o Vagabundo”, “There’s a Party” e “O Homem”, menos datadas ao vivo, junto das sempre presentes “Alagados”, “A Novidade” e “Selvagem”. O tracklist não seguiu a ordem, mas a nova sequência escolhida funcionou. A cozinha de Bi e Barone segue impecável e assistir a Herbert ao vivo ainda passa a sensação de se estar testemunhando um milagre. O trio de apoio — João Fera (teclados), Monteiro Jr (sax) e Bidu Cordeiro (trombone) —, como habitual, engrandeceu ainda mais o espetáculo.Setlist:Ver essa foto no Instagram
- Selvagem (com trecho de “Polícia”, dos Titãs)
- Teerã
- Você + Gostava Tanto de Você (Tim Maia)
- Melô do Marinheiro
- Marujo Dub
- O Homem
- A Dama e o Vagabundo
- A Novidade
- There’s a Party
- Alagados
- Lanterna dos Afogados
- Aonde Quer que eu Vá
- O Beco
- Uma Brasileira
- Lourinha Bombril
- Óculos
- Meu Erro
4) Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá
Talvez a performance mais sensível a críticas, pois foi a única sem a voz original da obra — embora os Titãs não contem com alguns de seus cantores clássicos. No entanto, há dois grandes méritos que colocam este show em posição alta na lista. O primeiro está no peso da obra. “Dois”, da Legião Urbana, é provavelmente o álbum que mais mereça o título de “clássico”. Praticamente todas as músicas, até “lados B” ou composições de construção menos convencional, foram cantadas pela plateia. O segundo reside no trânsito perfeito entre “tributo sem ser cover”. André Frateschi sabe que não é Renato Russo. O registro vocal é bastante similar, mas o cantor e ator não tenta se parecer demais com o ídolo falecido em 1996. Houve ainda o reforço de Dado em uma noite inspirada e uma banda de apoio fortalecida pelo baixo forte de Mauro Berman, representando o legado de outro integrante falecido e nem sempre citado: Renato Rocha.Setlist:Ver essa foto no Instagram
- Daniel na Cova dos Leões
- Quase Sem Querer
- Acrilic on Canvas
- Eduardo e Mônica
- Tempo Perdido
- Metrópole
- Plantas Embaixo do Aquário
- Música Urbana 2
- Andrea Doria
- Fábrica
- “Índios”
- Há Tempos
- Pais e Filhos
3) Ira!
Único escalado a não tocar a obra homenageada na íntegra — “Pobre Paulista”, faixa de encerramento, não é executada ao vivo há anos devido à sua letra de cunho xenofóbico —, o Ira! conseguiu dobrar a força de um álbum recheado de sucessos, mas atrapalhado por sua datada sonoridade original. “Vivendo e Não Aprendendo” soa mais interessante ao vivo, inclusive por lados B como “Tanto Quanto Eu” e “Vitrine Viva”, e nem mesmo o sol das 14h tirou o interesse do público, presente em peso para assisti-los na abertura do segundo dia de festival. Nasi está em sua melhor fase praticamente desde o retorno da banda em 2007 e Edgard Scandurra segue como um dos heróis subestimados da guitarra brasileira, mas o peso extra vem do trio complementar: Daniel Scandurra no baixo, Evaristo Pádua na bateria e Johnny Boy no teclado. Esforço coletivo exitoso.Setlist:Ver essa foto no Instagram
- Envelheço na Cidade
- Casa De Papel
- Dias de Luta
- Tanto Quanto Eu
- Vitrine Viva
- Flores em Você
- Quinze Anos (Vivendo E Não Aprendendo)
- Nas Ruas
- Gritos Na Multidão
- Tarde Vazia
- Flerte Fatal
- Rubro Zorro
- Eu Quero Sempre Mais
- Núcleo Base
2) Tributo a Cazuza
Não que o espetáculo “Meu Sonho é Ser Imortal”, dedicado à memória de Rita Lee, tenha sido ruim, mas o impacto do show “Todo Amor que Houver Nessa Vida”, em celebração a Cazuza, foi maior por uma série de razões. A começar por aquela mais facilmente notada: o apreço visual da direção artística de Rafael Dragaud, com projeções na estrutura externa do Auditório Ibirapuera que iam da sutileza à psicodelia. Quase todo o time de convidados foi composto por nomes ligados à trajetória de Caju, como Leo Jaime, Leoni, Lobão e seu parceiro mais importante, Roberto Frejat, protagonista dos momentos mais impactantes, como sua versão ardida para “Blues da Piedade” e a emotiva canção que deu nome à apresentação. Entre as vozes que “apenas” admiram o homenageado, Maria Gadú foi o destaque, com direito a uma interpretação delicada de “Quase Um Segundo”.Setlist: O Tempo Não Para (com Arnaldo Antunes) Malandragem (Cássia Eller) (com Arnaldo Antunes) Vida Louca Vida (com Lobão) Ideologia (com Lobão) O Nosso Amor a Gente Inventa (com Maria Gadú) Quase Um Segundo (com Maria Gadú) Codinome Beija-Flor (com Johnny Hooker e Maria Gadú) Por Que a Gente é Assim (com Johnny Hooker) Bete Balanço (com Johnny Hooker e Leo Jaime) Maior Abandonado (com Leo Jaime) Preciso Dizer Que Eu Te Amo (com Leo Jaime) Exagerado (com Leoni) Solidão Que Nada (com Leoni) Blues da Piedaxe (com Frejat) Todo amor que houver nessa vida (com Frejat) Pro Dia Nascer Feliz (com Frejat) Brasil (com todos)Ver essa foto no Instagram
1) Paulo Ricardo
Em seu auge, o RPM conseguiu ser, ao mesmo tempo, fenômeno de vendas e artisticamente pouco levado a sério, seja por sua existência inicial efêmera, falta de outras obras impactantes para além de “Revoluções por Minuto” (1985) + “Rádio Pirata Ao Vivo” (1986) ou, justamente, por seu apelo pop. Entre todos os nomes celebrados pelo lineup, parecia, junto da divertida Blitz, a banda mais relegada ao passado, em estética e mensagem. Talvez até fosse — o que torna ainda maior o mérito de Paulo Ricardo ao entregar o show mais interessante do C6 no Rock. Sua banda de apoio composta por Ícaro Scagliusi (guitarra), Fábio Ribeiro (teclados, ex-Angra e Shaman) e Badel Basso (bateria) emulou de modo fiel a sonoridade original produzida respectivamente por Fernando Deluqui e os saudosos Luiz Schiavon e Paulo “P.A.” Pagni. Ofereceram a cama perfeita para o protagonista dominar as ações como um legítimo frontman, à vontade mesmo com um repertório que resgatou canções menos lembradas do RPM. Aliás, especificamente canções de caráter obscuro a exemplo de “Estação do Inferno”, “Sob a Luz do Sol” e “Pr’esse Vício” que tornaram essa apresentação tão atraente, para além dos hits “Olhar 43” e “Rádio Pirata”.Setlist:Ver essa foto no Instagram
- Revoluções por Minuto
- Alvorada Voraz
- Louras Geladas
- Estação do Inferno
- A Cruz e a Espada
- Sob a Luz do Sol
- Pr’esse Vício
- Juvenília
- Liberdade / Guerra Fria
- London, London (Caetano Veloso)
- Flores Astrais (Secos & Molhados)
- Naja
- A Fúria do Sexo Frágil Contra o Dragão da Maldade
- Olhar 43
- Rádio Pirata (com trechos de “Light My Fire”, do The Doors, e “You Can’t Always Get What You Want”, dos Rolling Stones)
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