Pra Gira Girar celebra o legado do trio Os Tincoãs em novo disco

Amanhã, 30, o coletivo Pra Girar estreia seu primeiro LP, Pra Gira Girar: uma celebração a Os Tincoãs. O projeto reúne canções do repertório dos Tincoãs, trio afro-baiano fundado na década de 1960, celebrando sua trajetória com a intenção de aproximar obra do grupo e o público contemporâneo. A partir do próximo mês, o coletivo inicia uma série de shows pela Europa e pelo Brasil.

O coletivo Pra Girar é formado por Alan de Deus, Álvaro Lancellotti e Michele Leal, no vocal, e Pedro Costa, na guitarra. Também tocam na gravação do álbum Kassin, Anna Magalhães, Diogo Gomes e Zé Manoel. A ficha técnica inclui também Zero Awá (in memorian), um dos responsáveis pela percussão.

Inicialmente, a ideia era conceber a homenagem apenas ao vivo e segundo Lancellotti, o disco é uma consequência do show. “Entendemos que essa obra era riquíssima e pouca gente viu Os Tincoãs em cena. Eles não fizeram tantas aparições como banda e também pertencem a uma geração muito antiga. Houve, então, uma vontade muito genuína de reapresentá-los, completa”.

A gravação foi uma proposta de Mario Caldato Jr. e Samantha Caldato, responsáveis pelo selo independente Amor In Sound, que enxergaram a possibilidade depois de o espetáculo passar inicialmente por São Paulo e Rio de Janeiro com ingressos esgotados.

“Somos todos grandes admiradores dos Tincoãs. Fui assistir ao primeiro show do Pra Gira Girar e, de repente, me vi convidado a tocar. Saí da plateia em direção ao centro da roda, fui de espectador a participante. E, como um todo, foi nesse espírito de encontro que essas regravações aconteceram, feitas em um ambiente de festa, alegria e celebração. Está aqui a essência, a alma do disco”, conta Kassin, baixista e produtor do disco.

No último ano, o coletivo lançou os dois primeiros singles do projeto: “Atabaque Chora” e “Deixa a Gira Girar“. Os integrantes contaram que “Conceitualmente, a nossa ideia vai ao encontro do título escolhido, derivado da canção Deixa a Gira Girar. Queremos resgatar essa ideia de movimento, como se o LP pudesse fazer algo girar, desatando um processo de revelação que se dá, justamente, na decisão de cantar, de celebrar”

Faz parte também da decisão do grupo, a percepção de um movimento de reconexão com a ancestralidade: “As pessoas passaram a buscar suas origens, a se descobrir para além de um batismo, de uma identidade que muitas vezes foi imposta ou limitada”, afirma Lancellotti. Para Álvaro, “existe uma afirmação, uma coragem de falar sobre isso, de não ser mais um macumbeiro escondido”.

O ideal é refletido na escolha do repertório, que foi pensado para ser espaço de manifestações culturais, espiritualidade e culto aos orixás. Esses temas foram eternizados pelos Tincoãs, e agora, ganham uma nova versão com o Pra Gira Girar.

“Procuramos ser muito fiéis a essa obra, prezando por uma seriedade e uma dedicação que nos levou a cantar da mesma forma como Os Tincoãs cantavam. Tivemos um cuidado especial com a maneira como as vozes se encontravam e, também, com a construção da banda”, contam Michele Leal e Pedro Costa, que guiaram o processo de adaptação de canto.

Segundo o Adelzon Alves, produtor do grupo original, ouvir as canções nas vozes do Pra Gira Girar, é mergulhar em mistérios e extrair novos conceitos com sonoridades únicas.

Abaixo, confira todas as faixas do projeto:

1 – Atabaque Chora
2 – Canto E Danco Pra Curar
3 – Deixa A Gira Girar
4 – Salmo
5 – Cordeiro De Nana
6 – Oxossi Te Chama
7 – Homem Nago
8 – Sereia
9 – Lamento As Aguas
10 – Na Beira Do Mar
11 – A Força Da Jurema
12 – Obaluae

Confira a agenda completa:
1º de novembro – Lisboa, Portugal | BOTA
6 de novembro – Utrecht, Holanda | LE GUESS WHO? FESTIVAL
7 de novembro – Amsterdam, Holanda | MUNGANGA
20, 21 e 22 de novembro – Salvador, Brasil | CAIXA CULTURAL
27 de novembro – Rio de Janeiro, Brasil | MANOUCHE

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Publicado por: Yasmin Constante

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