
Chance the Rapper pode, em breve, deixar de ser Chance the Rapper. Em entrevista ao programa Tea Time, o artista de Chicago revelou que cogita abandonar a primeira metade do nome artístico. “Vou tirar o ‘Chance. Quero ser só The Rapper. É algo sobre o qual tenho pensado muito”. A declaração veio em meio à turnê que comemora os dez anos de Coloring Book (2016), o disco que tornou Chance the Rapper o primeiro artista independente a vencer o Grammy, com os prêmios de Melhor Artista Revelação e Melhor Álbum de Rap.
A ideia não é se distanciar do rap, mas reforçar esse vínculo. Chance the Rapper conta que, ao longo dos anos, pessoas de fora do meio sugeriram que retirasse “The Rapper” do nome e adotasse apenas “Chance”, como se a referência ao gênero fosse uma limitação. Ele sempre recusou. Agora, porém, quer seguir o caminho inverso: fazer com que o nome reflita sua devoção ao ofício, e não à pessoa por trás dele. “Quero carregar o rap da mesma forma que o rap me carregou pela vida”, afirmou. Para ele, os maiores artistas do gênero são “etimólogos e linguistas de coração, pessoas que realmente amam a linguagem” — e é essa dimensão que deseja destacar.
Chance the Rapper says he has been considering changing his stage name to just ‘The Rapper’ 👀
“I’ve been thinking about it this whole tour. Been thinking about changing my name… I’m going to take off the Chance. I just want to be The Rapper. It’s been like something I’ve been thinking about a lot. I just really love the art form.”
(via Tea Time w/ Raven & Miranda)
— Kurrco (@Kurrco) October 2, 2026
A motivação passa por uma mudança na maneira como encara a vulnerabilidade. Por muito tempo, a carreira de Chancelor Bennett — nome de batismo do artista — foi marcada pela exposição da vida pessoal: relacionamentos, fé, família e conflitos viraram letras. Coloring Book foi construído em torno dessa abertura. O fim do casamento, a filha e o peso de crescer sob os olhos do público também fazem parte desse universo pessoal. “Dou muita vulnerabilidade, muitos vislumbres da minha vida, dos meus relacionamentos, de mim mesmo às vezes”, disse no Tea Time. Hoje, porém, esse grau de exposição já não lhe interessa da mesma forma. Ele cita André 3000 e o artista anteriormente conhecido como Kanye West como referências que admira tanto pela vulnerabilidade quanto pelos momentos em que se afastaram da abordagem autobiográfica.
A declaração ocorre em um momento de reconstrução da imagem de Chance the Rapper. Depois do sucesso de Coloring Book, seu primeiro álbum de estúdio, The Big Day (2019), decepcionou a crítica — a Rolling Stone o incluiu na lista dos 50 álbuns mais decepcionantes de todos os tempos. O segundo disco de estúdio, Star Line (2025), chegou seis anos depois, em agosto de 2025. Com uma recepção mais favorável, estreou na 22ª posição da Billboard 200 e foi visto como uma retomada da boa fase do artista.
Por enquanto, a mudança de nome não tem data nem confirmação oficial: é uma possibilidade em discussão, não uma decisão tomada. A motivação, no entanto, está clara. Depois de uma década de exposição, Chance the Rapper quer redirecionar a atenção do público da vida pessoal para o trabalho, do indivíduo para o gênero. Ironicamente, o nome que pretende adotar é o mais genérico possível: “O Rapper”.
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Publicado por: Kadu Soares (@kadusoares__)






