

Ícone da música norte-americana e amplamente considerado um dos maiores músicos do século XX, Brian Wilson passou a carreira elevando o padrão técnico do pop. Co-fundador dos Beach Boys, o artista revolucionou o gênero, e foi extensamente elogiado por colegas de profissão em vida.
Bob Dylan certa vez descreveu seus dotes musicais (via Far Out): “Jesus, que ouvido. Ele deveria doá-lo ao Smithsonian.” Os elogios do cantor folk seguiram aclamando Wilson como um visionário, não apenas um talento nato. “O disco que eu costumava ouvir e ainda amo”, disse ele, “você não consegue fazer um disco que soe daquele jeito. Brian Wilson, ele fez todos os seus discos com quatro canais, mas você não conseguiria fazer os discos dele nem se tivesse cem canais hoje em dia.”
Paul McCartney, “rival” do artista na rixa entre os Beatles e os Beach Boys, sempre reconheceu o falecido herói como um paradigma da composição pop: “Acho que ninguém é musicalmente educado até ouvir Pet Sounds. Adoro a orquestra, os arranjos, talvez seja um exagero dizer que é o clássico do século, mas, para mim, certamente é um disco clássico absoluto, imbatível em muitos aspectos. Muitas vezes ouvi Pet Sounds e chorei.”
Com a mesma reverência, a revista SPIN, em 2021, pediu a Wilson uma lista de cinco discos dos quais ele não conseguiria viver sem. O próprio músico foi direto ao ponto e reuniu nomes que, de um jeito ou de outro, ajudaram a formar o ouvido que depois moldaria o álbum que marcou a banda do artista na história, Pet Sounds.
1. Pet Sounds — The Beach Boys (1966)
O primeiro nome da lista não surpreende: o disco de maior sucesso da banda de Wilson, lançado em maio de 1966. “Eu amo a música, claro, e o álbum significa amor”, resumiu o baixista à SPIN. O décimo primeiro álbum de estúdio dos Beach Boys reúne sucessos como “Wouldn’t It Be Nice” e “God Only Knows“, e revolucionou o pop ao formular um projeto que também conta a história de um relacionamento do início ao fim. O projeto deu origem ao movimento do rock barroco, que trazia canções com toques de música clássica repletas de letras sensíveis. A genialidade do álbum também gerou uma relação simbiótica de talento entre a banda e os Beatles, que passaram a desenvolver novas faixas e álbuns pensando exclusivamente em ultrapassar o liricismo e musicalidade de Pet Sounds.
2. Between the Buttons — The Rolling Stones (1967)
Wilson também escolheu o quinto álbum de estúdio dos Rolling Stones: “Pelo menos hoje, estou pensando nesse álbum”, disse ele à revista Spin . Em seguida, reservou elogios especiais para uma música em particular. “A música ‘My Obsession’ é… bem… eu sou obcecado por ela.” Mais uma vez, o sentimento era mútuo, com Keith Richards comentando: “Brian Wilson tinha algo especial. ‘In My Room’, ‘Don’t Worry Baby’. Eu estava mais interessado nos lados B, aqueles que ele incluía. Não havia nenhuma correlação específica com o que estávamos fazendo, então eu podia simplesmente ouvi-los em outro nível. Achei que eram canções muito bem construídas” (via Far Out).
3. Sail Away — Randy Newman (1971)
Em terceiro lugar veio o disco de Randy Newman: “É o melhor. Eu amo o Randy, a música dele significa muito para mim”, afirmou Wilson. A admiração era recíproca: o músico conhecido pela composição da trilha sonora de Toy Story e voz por trás do sucesso “You’ve Got a Friend in Me” já chamou o instrumentista de “um dos maiores artistas criativos da história da música popular.” Para Newman, “Pet Sounds é uma conquista notável.”
4. Revolver — The Beatles (1966)
A disputa criativa entre os Beatles e os Beach Boys corria nos dois sentidos. Lançado três meses após Pet Sounds, em agosto de 1966, Revolver chegou absorvendo parte do fôlego experimental que Wilson havia despejado em estúdio naquele ano. “Eu pedia aos músicos que tocassem repetidamente até que o som fizesse sentido. Trabalhei horas extras nisso; trabalhei por horas para acertar. Se o som não fizesse sentido, eu não saberia o que fazer – ficaria perdido! É o instinto que me guia”, afirma o baixista sobre o álbum do grupo estadunidense. “Tenho um instinto para a música, ou uma intuição sobre ela, e deixo que meus sentimentos guiem minhas mãos”, afirma, mas ainda bem que ele não tinha um senhorio para reclamar.
Décadas depois, ao escolher uma das refutações do Fab Four como um de seus álbuns favoritos para a SPIN, Wilson reservou o elogio mais específico a Paul McCartney. “O que não tem para amar?”, disse. “É um dos melhores trabalhos do Paul. Os vocais dele são incríveis.” A escolha chama atenção porque, em outros momentos, Wilson já havia apontado Rubber Soul, disco anterior da banda, como o melhor álbum dos Beatles.
5. Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band — The Beatles (1967)
O quinto lugar ficou com o álbum que, segundo o próprio Wilson, teve relação direta com o trabalho dele. “Foi a resposta a Pet Sounds e me fez correr atrás de fazer melhor”, disse. A disputa criativa entre Beach Boys e Beatles ao longo dos anos 1960 é um capítulo conhecido da história do pop, e os baixistas se entendiam como referências mutuas. “Acho que ninguém se considera musicalmente instruído até ouvir Pet Sounds “, afirmou McCartney (via Far Out).
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