

O novo filme satírico de Alejandro G. Iñárritu (Birdman) estrelado por Tom Cruise (Top Gun: Maverick), Digger, fracassou em seu primeiro final de semana em cartaz. Com custo estimado entre US$ 140 milhões e US$ 180 milhões, ele teve uma arrecadação global de apenas US$ 20 milhões — menos de um quarto do orçamento. Digger também recebeu críticas polarizadas da mídia e do público, mas o diretor Iñárritu não se abalou: ele sabia que o longa não agradaria a todos.
Em Digger, Cruise interpreta o excêntrico magnata do petróleo Digger Rockwell. Quando a empresa de Rockwell provoca um desastre ecológico sem precedentes, que ameaça desencadear até mesmo uma guerra nuclear, o protagonista embarca em uma missão para convencer a todos de que ele é o único capaz de salvar a humanidade.
Iñárritu comentou sobre as opiniões polarizadas sobre o filme: “Prefiro isso a uma recepção morna”, disse ao The New York Times (via EW). “O filme não é perfeito”, admitiu, “[mas] gosto de correr riscos”.
O cineasta é conhecido por construir filmes com narrativas intensas e estruturas não lineares, que já dividiram a opinião da crítica antes. Alguns exemplos são O Regresso (2015), Amores Brutos (2000) 21 Gramas (2003) e Babel (2006).
Sobre Digger, ele afirma: “Acho que definitivamente é um filme incomum. É um filme provocativo”.
Esse é o papel de um filme para mim: iniciar uma conversa. Meu gosto pessoal se inclina para filmes que tentam me dizer algo de uma maneira diferente.
‘O desastre somos nós’
Iñárritu ressalta que não sente a necessidade de ser compreendido por todos: “Há pessoas que querem mais certeza na narrativa, e isso também não tem problema. Então, sim, para ser honesto, esperávamos isso.”
O diretor acrescenta que Digger satiriza uma realidade que não parece tão distante no atual cenário de colapso ambiental e político — e isso também pode afastar parte do público. Mas, segundo ele, o intuito da obra não é aniquilar a esperança.
Este filme é um filme de desastre, mas o desastre somos nós. O mundo é tão belo e tão incrível. Há tantos recursos, e o equilíbrio do ecossistema é simplesmente absurdamente belo. Se pudermos nos reunir na mesma sala, na mesma realidade, e entender em que ponto da narrativa nos encontramos, acho que isso traz esperança.
No Rotten Tomatoes, a novidade abriu com uma aprovação de 53%. O consenso dos críticos afirmou que “um Tom Cruise totalmente dedicado lidera esta sátira ambiciosa, porém confusa, que certamente dividirá o público”. A avaliação do público no mesmo site, no entanto, está agora em 71%.
O papel excêntrico de Tom Cruise
Cruise aparece completamente irreconhecível em Digger: o ator usou próteses faciais, dentes falsos, perucas com cabelos ralos e grisalhos e uma barriga falsa para adotar uma aparência envelhecida. O filme foi a pior estreia do astro nos EUA país desde Leões e Cordeiros (2007) — mas ele também compartilhou seu orgulho nas redes sociais.
“Estou muito honrado por ter tido a oportunidade de criar este filme ao lado de artistas tão talentosos”, escreveu. “Obrigado a todo o elenco e equipe pela dedicação, trabalho árduo e alegria. A experiência foi verdadeiramente inesquecível e estou muito orgulhoso do que criamos.”
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Segundo crítica da Rolling Stone, “em uma época tão conturbada, na qual a inteligência artificial ameaça nossa própria existência e a verdade se tornou um campo de batalha, Cruise quer oferecer um bálsamo, se não a salvação. Ele quer que riamos, choremos e sintamos que, mesmo quando parecemos estar nos lançando de cabeça no vazio, ainda podemos encontrar um terreno comum dentro de um cinema. Cruise está determinado a resgatar a ‘arte’ da catarse”.
Além de Cruise, o elenco de Digger conta com John Goodman (Os Flintstones), Sandra Hüller (Anatomia de uma Queda), Michael Stuhlbarg (Me Chame Pelo Seu Nome), Jesse Plemons (Guerra Civil), Sophie Wilde (Fale Comigo), Riz Ahmed (O Som do Silêncio) e Emma D’Arcy (A Casa do Dragão). Assista ao trailer a seguir:
O post Diretor de ‘Digger’ reage à recepção polarizada da crítica: ‘Gosto de correr riscos’ apareceu primeiro em Rolling Stone Brasil.






