
Quando você clica em “comprar” um jogo na PlayStation Store, é possível que, na prática, não esteja comprando nada — ao menos é isso que a Sony sustenta na Justiça dos Estados Unidos (via NME). A empresa enfrenta uma ação coletiva movida por quatro pessoas usuárias de PS5, que afirmam ter sido induzidas ao erro pela linguagem da loja digital.
De acordo com os termos de serviço da companhia, escondidos em um documento com mais de mil palavras, “o software é licenciado para você, não vendido” e “o conteúdo virtual é licenciado, não possuído”. O problema, segundo a ação, é que, no momento do pagamento, a interface usa “comprar” e solicita a “confirmação da compra”. Para os autores do processo, é justamente essa contradição que caracteriza o engano.
A petição afirma que “consumidores razoáveis são levados a acreditar que a compra de um jogo digital na PlayStation concede um interesse de propriedade irrestrito, quando, na verdade, a transação apenas concede uma licença limitada, que pode ser restringida ou revogada”. A Sony, por sua vez, argumenta que os termos atuais são claros o bastante para que “consumidores razoáveis” não sejam confundidos, e que quem lê o contrato com atenção compreende a diferença. Agora, a empresa precisará convencer o tribunal de que essas informações são “acessíveis e óbvias” no momento da compra.
O momento da disputa é delicado. No início de 2026, a Sony anunciou que encerrará a produção de discos físicos para o PlayStation no começo de 2028, descrevendo a decisão como a “direção natural” diante da preferência crescente por mídia digital. Segundo um relatório citado pela companhia, apenas sete jogos de PlayStation venderam mais de 100 mil cópias físicas nos Estados Unidos ao longo de todo o ano.
A mudança, porém, provocou uma onda de críticas: uma petição contra o fim dos discos já reúne mais de 377 mil assinaturas, e fãs organizaram um boicote econômico de uma semana à plataforma. Hideo Kojima classificou a decisão como “assustadora”, especialmente após a Sony remover centenas de filmes das bibliotecas de pessoas usuárias de PS5 em razão do vencimento de um contrato de direitos.
O caso evidencia uma discussão antiga na indústria de games, mas que raramente chega aos tribunais com tanta nitidez: a diferença entre possuir um produto e apenas licenciar o acesso a ele. No mundo físico, um disco comprado é seu, você pode revendê-lo, emprestá-lo ou guardá-lo para sempre. No ambiente digital, a empresa que vendeu o acesso pode, em tese, restringi-lo ou revogá-lo a qualquer momento. A exclusão dos filmes das bibliotecas do PS5 mostrou que isso não é apenas teoria.
Para a Sony, a situação é ainda mais sensível porque a empresa ainda não confirmou a data de lançamento do PlayStation 6, e relatórios recentes indicam que o console pode custar mais de US$ 1.000. Vender a ideia de um ecossistema totalmente digital como o futuro da plataforma enquanto enfrenta um processo sobre o que “comprar” significa nesse ecossistema está longe de ser o cenário ideal para apresentar o próximo capítulo da marca.
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O post PlayStation 6 pode custar mais de US$ 1.000 — e você talvez nem seja dono dos jogos apareceu primeiro em Rolling Stone Brasil.
Publicado por: Kadu Soares (@kadusoares__)





