
Entre a necessidade de entender a si mesma e a constatação de que nem toda pergunta encontra uma resposta, bittersweetie apresentou “38%”, seu segundo single e nova prévia do universo que vai compor seu primeiro EP, produzido por Luke Branch.
A faixa sucede “Not Safe” e aprofunda uma das questões centrais do projeto: a sensação de estar deslocado no mundo e a busca por conexão em meio à dificuldade de compreender a própria existência.
Com uma atmosfera que remete aos dramas indie americanos e sonoridade atravessada pela vulnerabilidade, “38%” transforma em música o desconforto de tentar organizar sentimentos que insistem em permanecer fragmentados.
A canção acompanha o movimento de olhar para dentro em busca de respostas e, ao mesmo tempo, perceber que algumas partes de nós continuam difíceis de decifrar.
Para bittersweetie, a contradição está no próprio processo de composição. Embora a faixa seja profundamente pessoal, escrever sobre si mesma revelou a dificuldade de encontrar definição clara para aquilo que sentia. Em nota para a imprensa, ela contou:
“Em contraponto com meu primeiro single, que se trata de uma história inventada e contada de maneira mais divertida, ‘38%’ parece muito pessoal. Mas ela é justamente sobre a dificuldade de escrever algo que seja realmente sobre mim. Eu queria encontrar uma resposta, entender quem eu era e os motivos pelos quais eu me sentia daquela maneira. Mas quanto mais eu tentava analisar tudo, mais distante essa resposta ficava.”
O título da música surgiu a partir da imagem de um poema rasgado, do qual restaram apenas 38% do texto original. A metáfora traduz a ideia de viver entre fragmentos e tentar reconstruir uma história a partir de pedaços incompletos.
Na faixa, a imagem se conecta ao impulso de analisar sentimentos e acontecimentos repetidamente, na tentativa de encontrar uma explicação definitiva. bittersweetie finalizou:
“Nem sempre a gente tem a história inteira, nem todas as respostas, e às vezes insistimos em preencher essas lacunas e tentar fazer cálculos mirabolantes em meio à incompletude. É sobre aquele momento em que você acredita que, se pensar um pouco mais, finalmente vai chegar do outro lado, mas acaba virando um ciclo vicioso. De alguma maneira, escrever ela quando eu precisei me ajudou a sair dele.”
Drenna

O single “Guerra”, lançado pela banda Drenna, nasceu da dor profunda de saber da morte de uma criança durante operação policial no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.
A partir do triste episódio, a música tornou a tragédia individual retrato de uma realidade social marcada por conflitos, questionando a distância entre o discurso oficial de que “está tudo em paz” e a experiência cotidiana de quem convive com o caos urbano.
A letra coloca em evidência o luto inesperado de um pai e revela o sentimento de abandono e impotência diante de vidas que, muitas vezes, se tornam apenas números ou notícias passageiras.
A faixa abriu espaço para o debate sobre a banalização da violência e a invisibilidade das vítimas nas periferias brasileiras. A composição surge como desabafo visceral contra o silêncio imposto às comunidades que convivem diariamente com operações armadas e a sensação de que determinadas vidas recebem menos atenção e proteção.
Construída a partir da imagem real de um pai em desespero, “Guerra” faz um recorte das experiências vividas nas áreas mais pobres da cidade. A música trata o conflito tanto como conceito artístico quanto uma realidade presente, enfrentada por milhares de pessoas.
Danilo Sanches e a Engrenagem
O cotidiano, os afetos, o trabalho e as questões espirituais são o ponto de partida de Hipóteses para o Presente, álbum de estreia de Danilo Sanches e a Engrenagem, banda do Grande ABC paulista.
Com lançamento pelo selo DOXMR, da gravadora YB, o disco reúne 11 faixas em sonoridade que tem o groove como eixo e transita pelo Afrobeat, Indie Rock e Folk, sempre a partir de uma linguagem brasileira atual.
À frente do projeto desde 2018, Danilo Sanches costurou nas canções um emaranhado de situações comuns, transformando cenas domésticas e dilemas da vida adulta em matéria para a música. Em nota para a imprensa, ele resumiu:
“As canções apresentam hipóteses para um presente que é o nosso. Tanto o presente que é sinônimo de contemporaneidade quanto o que traz a ideia de instante.”
Produzido por Marcos Maurício, que já assinou trabalhos de Nômade Orquestra, Samuca e a Selva e Baco Exu do Blues, o álbum conta com duas participações especiais. Samuel Samuca apareceu em “A Marca do Beijo”, que combina Afrobeat e Afoxé, enquanto a cantora argentina Lucía Spivak dividiu os vocais com Danilo em “Querer Amar”, faixa mais latina do repertório, com versos em espanhol.
Ao vivo, Danilo Sanches e a Engrenagem se apresenta em formato de sexteto. O grupo, aliás, já fez show ao lado de nomes como Kiko Dinucci.
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Publicado por: Gabriel von Borell






