
Após participar de dois shows da Loop Tour no estádio MetLife, em 4 e 5 de setembro, Macklemore foi afastado do restante da turnê de Ed Sheeran por declarar seu apoio à Palestina no palco. Em pronunciamento nas redes sociais, Macklemore atribuiu a responsabilidade pela sua saída da turnê a Robert Kraft: segundo ele, o bilionário teria mobilizado outros donos de estádios para impedir suas apresentações nos locais dos próximos shows.
Kraft é um empresário judeu e dono do time de futebol americano New England Patriots (da NFL) e do time de futebol New England Revolution (da MLS).
O magnata estadunidense ajudou a tornar os Patiots uma das equipes mais bem-sucedidas da história da NFL: ele comprou o time em 1994, por US$ 172 milhões, e a franquia está atualmente avaliada em US$ 10,6 bilhões (cerca de R$ 54 bilhões). Além disso, ele é o proprietário do Gillette Stadium, nos arredores de Boston, onde Sheeran tem shows confirmados.
No Instagram, Macklemore explicou a conexão do bilionário com a sua demissão. “Na segunda-feira passada, o Ed me contou que o Kraft havia ligado para ele. Tínhamos um show marcado para o final deste mês no Gillette Stadium. O Ed me disse que o Kraft afirmou que eu não teria permissão para me apresentar no estádio dele”, revelou.
O Ed também me contou que o Kraft havia mobilizado alguns dos outros proprietários de estádios e que, juntos, eles lhe deram um ultimato: se o Macklemore continuasse na turnê, ele não poderia tocar nos locais deles.
Em resposta, o empresário afirmou que tomou a decisão não apenas devido às “ações recentes do rapper”, mas também a um “histórico mais amplo de retórica e imagens antissemitas” que ele considera “profundamente ofensivo e doloroso para a comunidade judaica”. Kraft não abordou a alegação de que também teria “mobilizado” outros donos de estádios.
Quem é Robert Kraft?
Além de proprietário dos times citados, Robert Kraft, hoje com 85 anos, é presidente e CEO do Kraft Group. Este conglomerado tem investimentos em áreas diversas como papel e embalagens, esportes, entretenimento e imóveis, e a fortuna de Kraft é estimada em US$ 15 bilhões (cerca de R$ 77 bilhões), segundo a Forbes.
Nascido em Brookline, Massachusetts, Kraft se formou com uma bolsa de estudos na Universidade Columbia (da qual hoje é membro emérito do conselho) e obteve um MBA em administração de empresas pela Harvard Business School. Cinco anos depois, fundou sua primeira empresa de embalagens.
Após vencer o Prêmio Gênesis (popularmente conhecido como o “Nobel Judeu”) em 2019, o empresário criou a Fundação Together Beat Hate para “combater o aumento do antissemitismo no mundo”. Ele contribuiu com US$ 20 milhões (cerca de R$ 102 milhões) e foi acompanhado por outros benfeitores.
O prêmio foi entregue pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, de quem Kraft é próximo. Ao aceitar a honraria, ele solicitou que um milhão de dólares fosse destinado a iniciativas de combate à “deslegitimação” de Israel (via G1).
Relação com Donald Trump
A imprensa norte-americana afirma que Kraft e Donald Trump possuem uma longa amizade. Kraft teria conhecido Trump nos anos 1990, na Flórida, e a amizade dos dois teria se fortalecido em 2011, quando a esposa de Kraft, Myra, faleceu. O Kraft Group doou US$ 1 milhão para o comitê de posse presidencial de Donald Trump em 2017.
A relação passou altos e baixos, especialmente após a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021, quando apoiadores de Trump protestaram contra a certificação da vitória eleitoral de Joe Biden. Kraft criticou a manifestação em entrevistas, mas os dois restabeleceram contato nos anos seguintes. Kraft compareceu ao casamento de Trump e também foi visto em seu camarote na estreia de Melania (2026), documentário sobre a vida da primeira-dama (via G1).
Os quatro filhos de Kraft com a falecida esposa — Jonathan, Daniel, Josh e David — também estão envolvidos na administração do conglomerado e apoiam iniciativas filantrópicas nos EUA e em Israel.
A polêmica envolvendo Sheeran
A Messina Touring Group, empresa que promove a etapa estadunidense da turnê de Sheeran, afirmou ter sido notificada pelas casas de shows das próximas datas da turnê que elas não permitiriam apresentações de Macklemore. “Após discussões com as partes interessadas, Macklemore não se apresentará nas datas restantes da turnê”, escreveu.
Segundo Macklemore, Sheeran “não conseguia superar sua postura pública de ‘não tomar partido’”.
Após ser removido dos shows, o rapper anunciou que irá doar os ganhos líquidos de US$ 1 milhão que obteve com a turnê Loop (aproximadamente R$ 5.1 bilhões) para seis instituições de caridade que trabalham em apoio ao povo palestino. Ele, então, desafiou Kraft a igualar sua doação.
“Com tudo o que aconteceu nas últimas 48 horas, quero trazer a conversa de volta para onde ela pertence: para o povo palestino que ainda está sendo morto, ainda vive sob ocupação militar e ainda luta por sua liberdade”, escreveu Macklemore. “Seja lá do que [eu e Kraft] discordemos, talvez possamos concordar nisso: vidas palestinas merecem ser protegidas. Uma vida palestina não vale menos do que qualquer outra vida nesta Terra”.
Kraft respondeu: “Dediquei grande parte da minha vida a construir pontes entre todas as pessoas. Acredito profundamente que todas as vidas merecem ser protegidas. Hoje mais cedo, antes de Macklemore me desafiar a igualar sua doação, Ed me ligou e pediu que eu me comprometesse a doar dois milhões para igualar sua doação e ajudar a região a combater essa crise humanitária. Ed agora planeja entrar em contato com outros proprietários de estabelecimentos, e nosso objetivo é continuar trabalhando juntos para construir pontes”.
Kraft também disse que “apoiou esforços que criam oportunidades para os palestinos”. Ele não esclareceu quais seriam esses esforços.
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Publicado por: Gabriela Nangino (@gabinangino)






