
A cantora Priscila Senna é a oitava convidada da Coluna Pop, um espaço no POPline para os artistas expressarem suas opiniões, anseios e perspectivas sobre música e mercado, e compartilharem histórias pessoais, em comemoração aos 20 anos do portal.

O brega sempre fez parte da minha vida. Muito antes de subir em um palco, ele já fazia parte da minha casa, das ruas onde cresci e da forma como o povo pernambucano aprendeu a transformar sentimentos em música. Quando comecei a cantar, ia de bicicleta para o estúdio. Muitas vezes, fazia o caminho a pé. Foi como backing vocal de uma banda de brega, que meu tio era bailarino, ainda de menor, que dei os primeiros passos da minha carreira, sem imaginar que aquele sonho me levaria tão longe.
Durante muito tempo, disseram que o brega tinha um limite. Que nunca sairia de Pernambuco, que não chegaria aos grandes festivais, às maiores emissoras de televisão ou aos palcos mais importantes do país. E, para nós, mulheres, seria mais difícil ainda. Além do preconceito com o gênero, existia a desconfiança de que uma mulher não conseguiria construir uma carreira sólida cantando brega. Mas a música sempre falou mais alto. Continuei cantando sobre amor, saudade, reencontros e despedidas, porque são histórias que pertencem a todo mundo. E foi justamente essa verdade que fez o brega romper fronteiras.
Hoje, vejo o brega ocupando um lugar que sempre mereceu. O brega funk conquistou o Brasil, domina as redes sociais, influencia a música e embala milhões de vídeos todos os dias. O brega romântico continua emocionando pessoas de todas as idades e provando que sentimento nunca sai de moda. As minhas músicas permaneceram nas paradas de sucesso durante tantos anos porque elas nasceram da verdade. Estamos próximos de alcançar um bilhão de visualizações no YouTube, e hoje tenho a alegria de ser reconhecida como a artista de brega mais ouvida do país. Mais do que um reconhecimento pessoal, isso representa a força de um movimento inteiro.
Nunca imaginei viver momentos que pareciam impossíveis. Me tornar a primeira cantora de brega a subir ao palco do Rock in Rio, e dividir o palco com os maiores artistas do país como Anitta, Gusttavo Lima, Pablo, Liniker, Joelma, Ivete, Maiara & Maraisa, Simone Mendes e tantos outros, participar dos maiores programas da televisão brasileira e levar o nome do brega para lugares onde, por muito tempo, disseram que ele nunca chegaria. Cada conquista minha sempre carregou um significado maior, porque eu sabia que não estava representando apenas a minha história, mas a história de um gênero inteiro e de tantas mulheres que também sonhavam ocupar esse espaço.
Por isso, quando digo que o brega venceu, não estou falando apenas de recordes, números ou grandes festivais. O brega venceu porque resistiu ao preconceito sem perder sua essência. Venceu porque permaneceu nas paradas de sucesso, atravessou gerações e conquistou o Brasil sem deixar de ser Pernambuco. Venceu porque abriu portas para novos artistas e mostrou que a nossa cultura merece estar em qualquer palco do mundo. E eu tenho um orgulho imenso de fazer parte dessa história. O Brega Venceu!
Publicado por: Leonardo Torres






