
A presença de Lucas Inutilismo no Rock in Rio 2026 representa uma mudança na maneira como uma nova geração de artistas chega ao palco. À frente do projeto LVCAS, o músico é um dos nomes vindos da internet que agora ocupam espaço em um dos maiores festivais do país. Para ele, porém, essa aproximação entre o digital e o rock não acontece apenas porque esses artistas já chegam com uma multidão de seguidores: o trabalho musical fala mais alto.
Lucas vê a programação desta edição como um reconhecimento de que a internet também pode ser um ponto de partida para músicos. “Eu acho que é um olhar da curadoria do Rock in Rio para esse digital que a gente tá falando”, diz ele, citando a presença de Diogo Defante no festival. E faz uma ressalva importante sobre quem está chegando: “Eu espero que esse olhar se repita em outros lugares também, para essas pessoas que vêm do meio digital e que têm algo para falar de fato.”
“Nós somos músicos antes de qualquer coisa, músicos de ofício. Nenhum de nós leva qualquer dessas coisas como garantia de algo. A gente é muito convicto do que a gente quer e muito apaixonado.”
Antes da LVCAS, Inutilismo já tinha construído uma audiência gigantesca no YouTube com humor, retrospectivas musicais e projetos como Minha Playlist de Funk e Ano em uma Música. A música autoral veio depois, com Humanamente, de 2024, e Abatido Mas Não Derrotado, de 2025. O resultado é um trabalho que mostra as referências do metalcore que Lucas traz no sangue, combinadas com uma boa dose de ousadia nas misturas sonoras – como na seção eletrônica da faixa “Odisséia”. Funk, rap e a presença de um DJ nos scratches também dão autenticidade à banda.
“Eu acho que o universo é muito rico e vasto pra gente se trancar num lugar. A cara da minha música é muito dinâmica”, diz ele.
“As retrospectivas me trouxeram uma bagagem enorme. Porque tinha esse desafio trazer uma coisa de um outro universo pro meu, né? Então eu fui me desenvolvendo para entender como mesclar os estilos.”

Tocar no dia dos ídolos
Lucas toca no dia de algumas das bandas que o formaram. O Avenged Sevenfold, por exemplo, é uma referência, de quando ele começou a imaginar que também queria tocar daquela maneira. “O Avenged é categoria de base”, brinca ele.
Já o Bring Me The Horizon representa outra etapa dessa história. Lucas enxerga em Oliver Sykes não apenas um frontman, mas “um líder de uma geração” e alguém que ajudou a renovar o metal ao misturá-lo com outros estilos e colocá-lo novamente em diálogo com o mainstream.
Eu não perderia esse dia jamais. Tem muita coisa que eu gosto ali, muita coisa que me fez estar aqui. O Avenged é categoria de base. Adolescente eu pensava: ‘Quero muito tocar igual o Synyster Gates, eu quero muito tirar esses solos’. É uma banda musicalmente muito, muito rica. E o Bring Me The Horizon também. O Oliver Sykes, além de ser um grande frontman, é um líder de uma geração e de uma renovação do metal, que traz também essa mistura de estilos.”
Sim, o rock está vivo
A própria trajetória do Bring Me The Horizon serve para Lucas como argumento contra a ideia de que o rock perdeu espaço. Ele lembra que viu a banda em uma casa para cerca de 3 mil pessoas e, anos depois, acompanhou um show lotado no Allianz Parque.
“Eu fui no show desses caras cinco anos atrás na Audio, que cabe 3.000 pessoas. E aí passam cinco anos e os caras estão dando sold out no Allianz.”
“Para mim, essa conversa sobre o rock morreu ou não… A gente pode já partir pro próximo tópico já, né? A gente não precisa ter um Gusttavo Lima, não precisa pegar o top 1 do Spotify. A gente tá aqui, a gente sabe do tamanho da comunidade, existe demanda, sabe? Então, segue o baile. Só vamos seguir o baile, vamos seguir tocando, cada um fazendo o seu.”
Lucas faria seu primeiro festival no Rock in Rio, mas acabou tendo datas antes dele e esteve no Capital Moto Week e Porão do Rock. “Foi bom para eu criar uma casca”, explica. A lógica é simples: em um festival, não existe garantia de que a plateia conhece seu trabalho. “Aqui eu tô num lugar de fazer um trabalho para ir conquistando as pessoas.”
É esse o desafio que LVCAS leva para o Palco Supernova. Não apenas apresentar músicas para quem já acompanha Lucas, mas transformar a apresentação em uma experiência capaz de alcançar quem chegou ao festival sem saber exatamente o que encontraria ali.
“A princípio, o Rock in Rio seria a minha primeira experiência em festivais, o que é, ao mesmo tempo, a coisa mais legal do mundo e aterrorizante demais, né? (risos). Acabou que aconteceram esses dois outros festivais. Foi bem importante, porque me deu algum tipo de experiência que era nula, de como saber lidar num lugar em que não está tudo sob o seu controle ali. São vários outros cuidados”, diz ele, que certamente vai ficar bem menos alerta quando experimentar a sensação de tocar num Rock in Rio pela primeira vez.
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Publicado por: Mauricio Deho




