
O centro de Curitiba ganhou nesta quarta-feira (26/08) um novo (e ao mesmo tempo antigo) endereço para a música ao vivo. O Cine Lido, cinema de rua inaugurado em 1959 e fechado desde 2016, reabriu as portas como casa de espetáculos multiuso, com capacidade para até 2,5 mil pessoas, na Rua Desembargador Ermelino de Leão, no coração da capital paranaense.
A noite de estreia teve show de Caetano Veloso, e a semana de abertura segue com apresentações de Marisa Monte (27/08, esgotado), Sven Väth (28/08) e Fresno (29/08, esgotado), um recorte que passa por MPB, música eletrônica e rock, e que já dá o tom da proposta do espaço: um palco sem rótulo fixo.
O projeto é liderado por Malu Cornelsen e Patrik Cornelsen, sócios na Planeta Brasil Entretenimento, em parceria com Gian Zambon e Bruno Neves, da SevenX. O TMDQA! esteve na reinauguração e conversou com Patrik sobre a história do local, a decisão de manter o nome Cine Lido mesmo com a mudança de propósito do espaço, e a expectativa de que o projeto ajude a impulsionar a revitalização do centro da cidade.
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Cine Lido devolve vida ao centro de Curitiba
Um dos primeiros pontos observados por quem chega à região é justamente o movimento que o Cine Lido devolveu à esquina onde está instalado. Segundo Cornelsen, esse é um fator que tem um significado especial para quem acompanha o centro de Curitiba há mais tempo.
[Reinaugurar o Cine Lido] é sensacional porque acho que qualquer projeto que a gente tira do papel, que você começa com uma ideia, leva um desenho, sonha com ele, e vê ele concretizado, realmente é uma coisa muito bacana, uma realização. Mas pensando no macro, o centro de Curitiba é um local muito especial. O Cine Lido, assim como outras áreas aqui do centro, trazem uma memória, principalmente para a minha geração, ou um pouquinho acima e um pouquinho abaixo, que viveu isso, que usou o Cine Lido como cinema.”
Essa memória inclui lembranças bem específicas, como o lançamento de Tubarão no Cine Lido, em 1975.
Eu [me lembro de estar] vendo, por exemplo, o ‘Tubarão’, quando foi lançado aqui no Cine Lido. A rua lotada em 1975, o centro de Curitiba pulsando! E esse retorno é realmente emocionante. A prefeitura de Curitiba tem colocado isso como meta, a revitalização do centro. E eu acho que o nosso projeto vem num momento em que pode contribuir muito com essa revitalização, porque eu acredito que, quando você traz vida a alguma coisa, você transforma essa quadra, esse bairro, a vida noturna, os restaurantes, os hotéis. E eu acho que isso pode ser contagioso: outras operações vão surgir, outros empresários vão se encorajar a investir no centro.”
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Os bastidores da revitalização do Cine Lido

Mesmo deixando de operar como sala de cinema, o espaço optou por preservar o nome que carrega desde 1959. Trata-se de uma escolha deliberada, segundo Cornelsen, ainda que ela exigisse contornar certas expectativas do público.
A decisão de um nome do empreendimento é uma coisa bastante séria. Mas eu acho que o primeiro ponto foi: por que não Cine Lido? Afinal de contas, estamos no cinema. Você tem que quebrar algumas barreiras porque, quando se fala Cine Lido, imediatamente a pessoa pensa num cinema. Então você precisa contar uma história. Isso, de repente, é um ponto negativo. Mas para nós isso foi sensacional, porque isso leva as pessoas a refletirem.”
Essa reflexão também se materializa fisicamente dentro do novo espaço: entre os elementos preservados da estrutura original está o projetor que era utilizado, exibido bem na entrada. Além dele, há luminárias de 1959 presentes no local, como destaca Patrik. O restante do projeto arquitetônico, assinado por João Uchôa, mesmo responsável pela cenografia de festivais como Rock in Rio e The Town, combina esse resgate a uma estrutura pensada para receber espetáculos de diferentes portes, com investimento inicial de R$ 22 milhões.
O resultado é um dos espaços mais agradáveis para assistir a um show atualmente. O show de Caetano Veloso, que tivemos a sorte de acompanhar, serviu para mostrar que o som está impecável, com acústica de fazer inveja em muito megaevento; mais do que isso, a estrutura parece ter sido pensada para uma boa visão de praticamente qualquer lugar, apostando em uma plateia superior, cuja vista você confere pelo vídeo abaixo, para dividir as atenções com a pista.
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O que vem por aí?
A programação de estreia do Cine Lido já deixa claro que o espaço não pretende se fixar a um único gênero musical: depois do show de abertura com Caetano Veloso, a semana segue com Marisa Monte, o dia dedicado à música eletrônica com Sven Väth e o rock da Fresno. Para Cornelsen, essa variedade é proposital.
A ideia foi mostrar que é um espaço bastante multifuncional, eclético, que pode receber vários tipos de eventos, vários tipos de shows, como um espaço multiuso, principalmente a parte do salão. É quase um pano em branco: você pode inventar nele o que você quiser. Eu acho que tem tudo para ser um equipamento bastante inteligente na cidade.”
Nos próximos meses, como você pode ver a seguir, a escalação conta ainda com verdadeiros ícones da música brasileira, como Zé Ramalho e Ana Carolina, além de revelações como Os Garotin e Gilsons, nomes de destaque do Sertanejo como Victor & Leo e Maiara & Maraísa e espetáculos que vão do intimismo de Tiago Iorc à energia do Capital Inicial.
Vida longa ao novo Cine Lido!
Programação do Cine Lido
Cine Lido — Programação de inauguração
Local: Rua Desembargador Ermelino de Leão, 160 – Centro, Curitiba (PR)
26/08: Caetano Veloso
27/08: Marisa Monte (ingressos esgotados)
28/08: Sven Väth
29/08: Fresno (ingressos esgotados)
11/09: Zé Ramalho
12/09: Tiago Iorc
23/10: Maiara e Maraísa
30/10: Capital Inicial
01/11: Victor & Leo
06/11: Ana Carolina
19/11: Gilsons
28/11: Os Garotin
Ingressos: à venda pela Ticketmaster (sujeitos a disponibilidade)
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Publicado por: Felipe Ernani






