
Quase duas décadas no rap, e Wale ainda não encontrou paz no negócio da música. No fim de setembro, o rapper de Washington, D.C., publicou no X uma reflexão pessoal que chamou de “entrada de diário”. No texto, pediu desculpas aos fãs que “verdadeiramente torcem” por ele e, em seguida, enumerou os custos emocionais de uma longa carreira na indústria (via Complex). A publicação foi apagada pouco depois, mas as capturas de tela já circulavam. Aos 42 anos, Wale tem oito álbuns de estúdio e uma trajetória que inclui a Maybach Music Group, de Rick Ross, um rompimento público com Meek Mill e, desde 2023, um recomeço pela Def Jam.

No texto, o rapper descreveu o ambiente da indústria como “uma corrida de ratos numa roda de hamster”: acordar e se deparar com elogios e críticas, com estas sempre em maior número. Também escreveu sobre a morte de amigos, a dificuldade de manter a criatividade, a responsabilidade de sustentar as pessoas ao redor e os novos “amigos” que surgem pelo caminho, mas que, segundo ele, não são verdadeiros. “Tanta gente se importa e, às vezes, nem consigo absorver isso, porque vivo num estado perpétuo de incerteza e ceticismo”, escreveu. A franqueza não surpreende quem acompanha Wale de perto: em 2025, durante uma participação no programa Million Dollaz Worth of Game, ele já havia falado sobre a frustração com os algoritmos das plataformas de transmissão de música e o ruído das redes sociais.
O desabafo foi publicado pouco antes de o álbum Everything Is a Lot (2025), seu oitavo trabalho de estúdio e primeiro pela Def Jam, completar um ano. O disco alcançou o 19º lugar da Billboard 200 e é o trabalho mais introspectivo de sua carreira. Com 18 faixas e participações de Shaboozey, Ty Dolla $ign, Leon Thomas, Andra Day e dos nigerianos Seyi Vibez, Teni e ODUMODUBLVCK, o álbum combina soul, blues e hip hop. Wale afirmou que o projeto tinha como objetivo “expressar certo nível de vulnerabilidade”. O lançamento também marcou o encerramento definitivo de um longo ciclo na MMG, após mais de uma década e uma ruptura desgastante com Meek Mill.
Depois de apagar a publicação, Wale mostrou que o impulso criativo segue intacto: em 1º de outubro, divulgou um improviso sobre a produção de “Man I Need”, da cantora britânica Olivia Dean. Na faixa, misturou mágoa e reflexão pessoal ao seu estilo lírico.
As críticas de Wale ao funcionamento da indústria não são novas nem exclusivas. O que chama atenção no texto é a exposição de alguém que, após quase 20 anos de carreira, ainda sente o peso da profissão que escolheu — e, mesmo assim, continua. Depois do episódio, o rapper confirmou que está trabalhando em novas músicas.
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Publicado por: Kadu Soares (@kadusoares__)





