
Nick Mason é o único integrante do Pink Floyd presente em todos os álbuns da banda, de The Piper at the Gates of Dawn (1967) a The Endless River (2014). Seu papel poderia parecer secundário em um grupo marcado pelas ideias de Roger Waters e pela guitarra de David Gilmour, mas era fundamental: a bateria de Mason dava sustentação enquanto os demais exploravam sonoridades imprevisíveis. Além de baterista, ele coescreveu faixas essenciais como “Time”, “One of These Days”, “Echoes” e “Careful with That Axe, Eugene”. Em entrevista ao programa Classic Albums Sundays (via FarOut Magazine), Mason revelou os cinco discos que ajudaram a formar seu gosto musical — e nenhum deles é do Pink Floyd.
A primeira escolha é The Freewheelin’ Bob Dylan (1963), segundo álbum do cantor Bob Dylan e um dos marcos da música norte-americana, que apresentou ao público canções como “Blowin’ in the Wind” e “A Hard Rain’s A-Gonna Fall”. Para Mason, Dylan é “ainda o maior compositor da história do rock”. Mason cresceu em uma casa culturalmente ativa, onde filmes e música estavam sempre presentes; essa convivência o levou a valorizar compositores tanto quanto instrumentistas.
A segunda escolha reforça essa amplitude: Axis: Bold as Love (1967), do Jimi Hendrix Experience. Mason afirmou que o disco reúne “não apenas o maior guitarrista, mas também um dos meus bateristas favoritos e mais influentes: Mitch Mitchell”. É uma escolha reveladora: enquanto o público se voltava para Hendrix, Mason também prestava atenção em Mitchell e aprendia com seu trabalho.
Os dois discos de jazz da lista seguem essa mesma lógica. Sobre The Thelonious Monk Orchestra at Town Hall (1959), Mason disse que o piano de Thelonious Monk era “uma aula de tempo e percussão, além da música em si”. Já A Tribute to Jack Johnson (1971), de Miles Davis, seria “provavelmente o maior álbum de ritmo de todos os tempos”. No disco, Davis aproximou jazz e rock com uma energia elétrica que também ecoa em momentos da obra do Pink Floyd.
A quinta escolha é a mais inesperada: Halcyon Days (1994), de Bruce Hornsby & The Range. Menos celebrado que os outros discos da lista, o álbum mostra que Mason buscava, além de prestígio ou consenso, algo que o tocasse de maneira particular. Como Monk, Hornsby é um pianista de senso rítmico singular. A presença recorrente de pianistas na seleção parece significativa: Mason sempre ouviu melodia, harmonia e composição com a mesma atenção dedicada ao tempo e à dinâmica.
Em conjunto, os cinco álbuns retratam um músico que nunca se limitou ao papel que o público esperava dele. São dois discos de jazz, um de música folk, um de rock psicodélico e um de pop sofisticado — gêneros distintos, unidos pela riqueza de detalhes e pela atenção que exigem do ouvinte. Foi essa disposição para escutar com curiosidade que Mason levou ao estúdio com o Pink Floyd e que ajudou a criar obras como The Dark Side of the Moon (1973) e Wish You Were Here (1975).
Os cinco álbuns favoritos de Nick Mason
Bob Dylan — The Freewheelin’ Bob Dylan (1963)
Jimi Hendrix — Axis: Bold as Love (1967)
Thelonious Monk — The Thelonious Monk Orchestra at Town Hall (1959)
Miles Davis — A Tribute to Jack Johnson (1971)
Bruce Hornsby & The Range — Halcyon Days (1994)
+++LEIA MAIS: Os 5 álbuns favoritos de Alex Lifeson, do Rush
+++LEIA MAIS: Os 5 álbuns favoritos de Joe Strummer, do The Clash
O post Os 5 melhores álbuns de todos os tempos, segundo Nick Mason, do Pink Floyd apareceu primeiro em Rolling Stone Brasil.
Publicado por: Kadu Soares (@kadusoares__)





