Pe Lu, do Restart, explica por que considera o Emo de esquerda

Pe Lu, do Restart, explica por que considera o Emo de esquerda
Crédito: reprodução

A relação do Emo com a política passa pelas próprias origens do gênero. Ao ser questionado sobre o assunto durante o programa O Povo Quer Saber, apresentado por Chico Barney no Canal UOL, Pe Lu, músico e ex-integrante do Restart, relacionou a discussão política à genealogia do gênero.

Como você pode ver no vídeo ao final da matéria, para ele, considerar as raízes do Emo, que vêm da cena do Hardcore e do Punk, ajuda a entender por que uma associação com a direita seria “contraintuitiva”:

Eu acho que não só o Emo, mas pensando que o Emo vem do Hardcore, vem do Punk… tem como isso ser de direita? Pelo menos na forma como a gente tá entendendo o que é direita agora, né?”

Marco Serra, organizador de festas do gênero e influenciador, reforçou a ideia e afirmou que associar o Emo à direita não faz sentido diante da trajetória cultural que deu origem ao estilo:

Eu falo sem o menor problema: é de esquerda. Ou pelo menos de centro-esquerda. Mas eu sei que nadar na contramão disso é uma ignorância absurda. Quer me julgar, me julga, mas essa é a minha visão de mundo.”

A discussão também avançou para as condições que sustentam a cena cultural. Serra relacionou o debate ao impacto das dificuldades econômicas sobre casas de shows, festas e outros espaços de circulação social. Segundo ele, quando o dinheiro fica mais curto, o setor cultural costuma estar entre os primeiros gastos cortados, o que afeta diretamente eventos e artistas.

Faz sentido por aí?

Pe Lu e Marco Serra debateram sobre a relação do Emo com a política em conversa com Chico Barney

Embora reconheça as raízes do gênero em movimentos historicamente associados à contestação, Pe Lu apontou que o Rock também desenvolveu trajetória marcada por comportamentos conservadores. Entre os problemas citados estão o sexismo e a homofobia:

O Rock é um lugar extremamente sexista, homofóbico, um gênero que muitas vezes recaiu para esse lugar. O Rock cai muitas vezes para um lugar de conservadorismo, que também é contraintuitivo.”

Na avaliação de Pe Lu, enquanto outros gêneros musicais incorporaram mais rapidamente colaborações e novas referências, o Rock “se fecha muito em si mesmo”, o que pode limitar sua capacidade de alcançar novos públicos e se renovar.

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Publicado por: Gabriel von Borell

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