
Aos 62 anos, João Gordo está vivendo uma fase que, segundo ele próprio, é a melhor de sua vida. Depois de décadas marcadas por uma rotina de excessos, o músico decidiu desacelerar, cuidar da saúde e rever hábitos que o acompanharam durante boa parte da carreira. O resultado inclui 64 kg a menos, o afastamento das drogas pesadas e do álcool e uma rotina de acompanhamento com profissionais de saúde.
A transformação acontece enquanto ele continua fazendo aquilo que sabe melhor: subir ao palco. No último domingo (6), João Gordo retornou ao Rock in Rio, quatro anos depois de sua primeira participação no festival. Desta vez, a apresentação aconteceu no palco Supernova, ao lado do Asteroides Trio, outro projeto musical do artista.
A relação de João com o Rock in Rio também representa uma mudança importante em sua trajetória. Apesar de estar à frente do Ratos de Porão desde 1983 e ser um dos nomes fundamentais para a consolidação do punk rock brasileiro, a banda só foi incluída na programação do festival pela primeira vez em 2022.
Agora, de volta à Cidade do Rock, João chega em outro momento pessoal. Em entrevista ao VIVA Entrevista, ele contou que a proximidade com a terceira idade serviu como um alerta para colocar a vida em ordem.
“Entrei na terceira idade com o pé na porta”, afirmou. Aos 62 anos, o cantor percebeu que não poderia continuar levando a mesma rotina de quando era mais jovem. “Falei: ‘Vou ter que tomar um jeito’. Aí eu parei de beber. Parando de beber, parou com todos os excessos.”
A mudança, entretanto, não aconteceu de forma imediata. João conta que está há cerca de dois anos trabalhando nesse processo, com acompanhamento psicológico e médico, e reconhece que também enfrentou recaídas. Para alguém que segue viajando pelo país e convivendo com um ambiente no qual bebidas, festas e outros excessos fazem parte da rotina, manter-se distante desse universo exige esforço constante.
“Se você quer sair, parar com todos os excessos, tem que sair do meio”, explicou. O problema, segundo ele, é justamente fazer parte desse “meio”: “Quando você é o meio? Você tem que viajar onde só tem loucura, e você chega lá no lugar, só tem nego doido te oferecendo mundos e fundos. Tem que ter a vontade do caralho.”
Apesar das dificuldades, João considera que conseguiu construir uma relação diferente com a própria saúde. O acompanhamento com psicólogos e médicos passou a fazer parte da rotina e, para ele, foi essencial para sustentar as mudanças.
“Eu tô conseguindo”, afirmou. “Comecei a procurar psicólogo, doutora Adriana, muita gente que tá me ajudando aí. Tô bem assessorado.” Para o músico, essa nova etapa pode permitir que atravesse os próximos anos com mais qualidade de vida: “Eu acho que essa última fase da minha vida aqui eu vou conseguir passar ela sem maiores dificuldades.”
A idade, naturalmente, também começa a aparecer no corpo. João admite sentir dores nas articulações e reconhecer as limitações naturais de quem chegou aos 60, mas não pretende transformar o envelhecimento em motivo para abandonar os palcos.
“Lógico que eu tô velho, cara, tenho dores de junta, aquela coisa de velho”, brincou. Ainda assim, ele se orgulha de manter a intensidade que sempre caracterizou suas apresentações. “Ainda consigo dar um show de uma hora, gritando que nem um desgraçado. Energia que moleque não tem.”
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Publicado por: Angelo Cordeiro (@angelocordeirosilva)





