Brasil: cerca de 100 empresas italianas chegam a São Paulo para transformar o acordo Mercosul–União Europeia em negócios

Uma das primeiras grandes movimentações empresariais após o avanço do acordo entre o Mercosul e a União Europeia começa nesta semana no Brasil. Cerca de 100 empresas italianas desembarcam em São Paulo para buscar investimentos, parcerias, transferência de tecnologia e novos negócios com empresas brasileiras e, por extensão, com o mercado sul-americano. A missão também passará pela Argentina e pretende transformar o entendimento comercial entre os dois blocos em operações concretas.

A Missão Confindustria 2026 terá sua etapa brasileira iniciada em 9 de setembro, em São Paulo. A programação reúne empresas de cinco áreas consideradas estratégicas para a expansão das relações entre Itália, Brasil e Mercosul: transição energética, agroalimentação, máquinas e equipamentos industriais, tecnologias digitais e setor farmacêutico e médico. Ao longo da missão estão previstos aproximadamente 500 encontros empresariais B2B, criando oportunidades para que companhias italianas e brasileiras negociem diretamente possíveis projetos.

A iniciativa ocorre em um momento particularmente importante para as relações entre Europa e América do Sul. Depois de mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entrou em uma nova fase e começa a produzir expectativas concretas entre empresas que buscam ampliar mercados, reduzir barreiras comerciais e estabelecer cadeias de produção entre os dois continentes. A missão italiana procura justamente antecipar esse movimento e transformar a abertura diplomática em contratos, investimentos e cooperação empresarial.

Energia, indústria e tecnologia estão no centro da agenda

A transição energética aparece como uma das principais áreas de interesse. Empresas italianas procuram oportunidades relacionadas à eficiência energética, modernização de redes e infraestrutura elétrica e desenvolvimento de biocombustíveis. Para o Brasil e outros países do Mercosul, o interesse europeu pode representar novas possibilidades de financiamento, equipamentos, tecnologia e associação com empresas locais.

No setor agroalimentar, a missão pretende ampliar o comércio bilateral e consolidar canais de exportação. A dimensão desse mercado é especialmente relevante para o Mercosul, cuja produção agrícola e pecuária constitui uma das principais portas de entrada para o comércio com a Europa.

A indústria também ocupa posição central. Fabricantes italianos de máquinas e equipamentos buscam oportunidades de modernização do parque industrial brasileiro, além de projetos relacionados a recursos naturais e terras raras. O objetivo não é somente vender equipamentos, mas ampliar a cooperação industrial e estabelecer relações de longo prazo com empresas sul-americanas.

Na área digital, o interesse está concentrado em soluções para a transformação tecnológica das empresas, conectividade e suporte à modernização dos negócios. Já o setor farmacêutico e médico busca possibilidades de produção conjunta, investimentos, transferência tecnológica e representação local, aproximando empresas italianas de um dos maiores mercados de saúde do continente.

Itália vê o Mercosul como mercado estratégico

Os números ajudam a explicar o interesse italiano. Em 2025, as exportações da Itália para os países do Mercosul alcançaram aproximadamente € 7,5 bilhões, enquanto o comércio italiano com o bloco apresentou crescimento significativo. Entre maio de 2025 e maio de 2026, as exportações italianas para o Mercosul cresceram 21%, segundo os dados divulgados pela missão empresarial.

No comércio direto entre Brasil e Itália, os números de 2026 também mostram espaço para expansão. Entre janeiro e julho, o Brasil exportou US$ 797,37 milhões para a Itália e importou US$ 659,23 milhões, produzindo um saldo brasileiro de aproximadamente US$ 138,14 milhões e uma corrente comercial de US$ 1,456 bilhão no período.

A dimensão dos investimentos europeus no Brasil também chama atenção: o estoque de investimentos europeus no país é estimado em cerca de € 400 bilhões, demonstrando que a relação econômica já possui uma base expressiva sobre a qual novos negócios podem ser construídos.

São Paulo será o primeiro grande ponto de encontro

A programação brasileira começa em 9 de setembro, em São Paulo, com uma sessão plenária voltada às oportunidades de investimento no polo industrial brasileiro e o início das reuniões setoriais.

No dia 10, a agenda estará concentrada nos encontros entre empresas, além de reuniões com grandes varejistas e clientes industriais. No dia 11, a delegação seguirá para Brasília, onde estão previstas reuniões com ministérios federais e órgãos reguladores.

Entre os assuntos que deverão entrar na pauta estão barreiras tarifárias, normas técnicas e grandes projetos de infraestrutura, temas fundamentais para transformar o acordo Mercosul–União Europeia em operações comerciais efetivas.

A missão é liderada no âmbito político pelo vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, que visitará Buenos Aires em 8 de setembro e São Paulo nos dias 9 e 10. A agenda demonstra que a Itália pretende combinar diplomacia econômica e atuação empresarial para ampliar sua presença na América do Sul.

Uma oportunidade que ultrapassa o Brasil

Embora São Paulo seja o principal centro da missão, o movimento interessa diretamente aos demais países do Mercosul. A aproximação entre empresas italianas e brasileiras pode criar cadeias de fornecedores, projetos tecnológicos, investimentos e parcerias capazes de alcançar Argentina, Paraguai, Uruguai e demais mercados associados ao bloco.

Para pequenas e médias empresas sul-americanas, o avanço das relações também pode representar uma oportunidade de buscar parceiros europeus em áreas como tecnologia, energia, indústria, saúde e agroindústria.

A questão agora é saber se o novo ambiente comercial será capaz de produzir resultados além dos grandes contratos. A chegada de aproximadamente 100 empresas italianas ao Brasil mostra que o setor privado já está se movimentando para ocupar o espaço criado pela aproximação entre os dois blocos.

O desafio será transformar reuniões em projetos, projetos em investimentos e investimentos em empregos, transferência de tecnologia e aumento do comércio. Se isso acontecer, o acordo Mercosul–União Europeia deixará de ser apenas uma negociação diplomática e passará a fazer parte da realidade econômica de empresas e trabalhadores dos dois lados do Atlântico.

Foto: Divulgação / Confindustria

Fonte: Comunità Italiana e ANSA.

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Publicado Por: Gilson Dantas Carmini

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