110 anos de turismo no Paraná: como Santos Dumont ajudou a colocar as Cataratas do Iguaçu no mapa

Marco histórico celebrado em 2026 remonta à visita do Pai da Aviação às Cataratas do Iguaçu e à mobilização pela preservação da área; setor chega ao aniversário com recordes de visitantes e estrangeiros

Turismo Mercosul – O Paraná celebra em 2026 uma marca que une história, preservação ambiental e desenvolvimento turístico: os 110 anos do Turismo no Estado. O marco escolhido pelo setor remonta a 1916, quando o aviador Alberto Santos Dumont visitou as Cataratas do Iguaçu e, impressionado com a grandiosidade do local, defendeu que aquela paisagem não poderia permanecer como propriedade particular.

Mais do que uma visita ilustre, o episódio desencadeou uma mobilização que ajudou a transformar a relação do Paraná com um de seus maiores patrimônios naturais. A história de Santos Dumont, Frederico Engel, as Cataratas e o então governador Afonso Camargo tornou-se parte da identidade turística paranaense e é hoje considerada pela Secretaria do Turismo do Paraná um dos acontecimentos que impulsionaram o desenvolvimento do setor.

A trajetória dos 110 anos será lembrada nesta terça-feira, 18 de agosto, durante a 100ª Reunião Ordinária do Conselho Paranaense de Turismo (Cepatur). O encontro representa não apenas uma celebração histórica, mas também uma oportunidade para discutir os próximos passos de uma atividade que atualmente movimenta bilhões de reais, gera empregos e coloca o Paraná entre os principais destinos turísticos do Brasil.

A viagem que mudou a história das Cataratas

Em abril de 1916, Santos Dumont estava em uma viagem pela América do Sul. Depois de passar pelo Chile e pela Argentina, chegou à região da fronteira e conheceu as Cataratas do Iguaçu pelo lado argentino.

A notícia da presença do famoso aviador chegou a Frederico Engel, proprietário do Hotel Brasil, em Foz do Iguaçu, então chamada Vila Iguassu. Engel percebeu a oportunidade e articulou, com lideranças locais, o convite para que Santos Dumont atravessasse a fronteira e conhecesse também as quedas pelo lado brasileiro.

No dia 24 de abril de 1916, Santos Dumont chegou à então Vila Iguassu e hospedou-se no Hotel Brasil. Na companhia de Engel e de outras pessoas da região, seguiu até as Cataratas. O deslocamento era completamente diferente do que os turistas conhecem atualmente: não havia estradas pavimentadas, transporte turístico estruturado ou a infraestrutura do Parque Nacional.

A viagem até as quedas era feita a cavalo e podia levar várias horas. O esforço, entretanto, foi recompensado pela paisagem que o aviador encontrou.

Na época, a área das Cataratas estava em terras particulares. Santos Dumont teria ficado indignado ao descobrir que uma paisagem daquela dimensão e importância pertencia a um único proprietário. A partir daí, decidiu levar a questão ao governo estadual.

De Foz do Iguaçu a Curitiba a cavalo

A iniciativa de Santos Dumont não ficou apenas nas palavras. Ele alterou seu roteiro de viagem e decidiu procurar pessoalmente o então presidente do Paraná, Afonso Camargo.

Para chegar a Curitiba, percorreu parte do caminho a cavalo. Segundo registros históricos, saiu da região de Foz do Iguaçu em direção a Guarapuava, acompanhando a linha do telégrafo, e posteriormente seguiu até a capital paranaense. A viagem foi longa e realizada em condições muito diferentes das atuais.

Santos Dumont foi recebido por Afonso Camargo em maio de 1916 e defendeu a necessidade de transformar a região das Cataratas em área pública, garantindo sua preservação e permitindo que o patrimônio natural pudesse ser conhecido por mais pessoas.

A mobilização teve consequência concreta. Em 28 de julho de 1916, o Decreto nº 653 declarou de utilidade pública uma área de aproximadamente 1.008 hectares pertencente a Jesus Val, abrindo caminho para a proteção pública das terras próximas às Cataratas.

Décadas depois, em 1939, foi criado oficialmente o Parque Nacional do Iguaçu. A unidade de conservação tornou-se um dos principais símbolos ambientais e turísticos do Brasil e, em 1986, as Cataratas do Iguaçu foram reconhecidas pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade.

A própria documentação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) ressalta que a criação do parque envolveu diferentes personagens históricos, entre eles André Rebouças, Jesús Val, Frederico Engel e Santos Dumont. Ou seja, a visita do aviador é fundamental nessa trajetória, mas integra uma história mais ampla de ocupação, preservação e valorização das Cataratas.

110 anos de turismo no Paraná: como Santos Dumont ajudou a colocar as Cataratas do Iguaçu no mapa
Cataratas do Iguaçu/ Foto: Maythe Novak

O turismo paranaense foi muito além das Cataratas

Se as Cataratas estão no centro do marco histórico de 1916, o turismo paranaense atualmente é muito mais diversificado.

O Estado reúne destinos de natureza, turismo rural, aventura, gastronomia, cultura, negócios, eventos, sol e praia, além de produtos ligados ao patrimônio histórico e às experiências regionais.

Ao longo das décadas, diferentes políticas públicas ajudaram a estruturar o setor. Entre os momentos importantes estão a criação da Paranatur e do Cepatur em 1969, iniciativas de organização do turismo no litoral e, posteriormente, a criação da Secretaria de Turismo do Paraná.

Mais recentemente, o Estado fortaleceu sua estrutura de promoção turística com a recriação da Secretaria de Estado do Turismo e a atuação do Viaje Paraná, responsável por ações de promoção do destino em mercados nacionais e internacionais.

O resultado desse processo aparece nos números mais recentes.

Paraná bate recordes e consolida força turística

Em 2025, o Paraná registrou o maior número de turistas internacionais de sua história. Foram 1.064.416 visitantes estrangeiros, crescimento de 16,6% em relação aos 912.255 registrados em 2024. O número também superou o recorde anterior, de 1.006.752 turistas internacionais alcançado em 2019.

Argentina e Paraguai foram os principais mercados emissores, favorecidos pela proximidade e pelas fronteiras terrestres. Juntos, os dois países representaram 74,4% das chegadas internacionais ao Paraná em 2025.

Foz do Iguaçu continua exercendo papel central nesse fluxo. O Parque Nacional do Iguaçu recebeu 2.020.359 visitantes em 2025, sendo aproximadamente 45% estrangeiros, provenientes de mais de 200 nacionalidades.

Mas o movimento turístico não está concentrado apenas nas Cataratas. Levantamento do Viaje Paraná apontou que 10.788.456 visitantes passaram por 42 dos principais atrativos turísticos do Estado entre janeiro e novembro de 2025, crescimento de 19% em comparação com o mesmo período de 2024.

Entre os destaques estão, além do Parque Nacional do Iguaçu, atrativos de Curitiba, Vila Velha e Ilha do Mel. O trem da Serra Verde Express, que liga Curitiba a Morretes, também registrou crescimento e transportou cerca de 270 mil passageiros no período analisado.

Turismo já movimenta bilhões e gera empregos

O crescimento do fluxo de visitantes também representa impacto direto na economia.

Estimativa divulgada pelo Viaje Paraná, com base em dados da Embratur e do Sebrae, aponta que turistas de sete importantes mercados da América do Sul movimentaram mais de US$ 320 milhões, aproximadamente R$ 1,7 bilhão, no Paraná em 2025. Esses visitantes representaram cerca de 850 mil pessoas, ou aproximadamente 80% de todas as chegadas internacionais registradas no Estado naquele ano.

Em uma análise mais ampla, o impacto econômico do turismo paranaense ultrapassou R$ 32 bilhões em 2025, segundo estimativa apresentada pelo Viaje Paraná. O setor também registrou saldo positivo de 7.830 empregos formais entre janeiro e novembro daquele ano.

Os números mostram como aquela viagem realizada por Santos Dumont há 110 anos ganhou proporções que dificilmente poderiam ser imaginadas naquele momento.

110 anos de turismo no Paraná: como Santos Dumont ajudou a colocar as Cataratas do Iguaçu no mapa
110 anos de turismo no Paraná: como Santos Dumont ajudou a colocar as Cataratas do Iguaçu no mapa

Cepatur chega à 100ª reunião

É nesse contexto que o Conselho Paranaense de Turismo chega à sua 100ª Reunião Ordinária, marcada para 18 de agosto. A data une dois símbolos importantes: a celebração dos 110 anos do turismo paranaense e a continuidade de um espaço de discussão sobre políticas, estratégias e prioridades para o setor.

O Cepatur reúne representantes de diferentes segmentos ligados à atividade turística e funciona como um ambiente de debate sobre os caminhos do turismo no Estado. A existência de um conselho com participação do trade reforça que o desenvolvimento turístico não depende apenas do poder público.

Hotéis, restaurantes, agências de viagens, guias, parques, atrativos, empresas de transporte, organizadores de eventos, comércio, entidades empresariais e Instâncias de Governança Regional fazem parte de uma cadeia que precisa atuar de maneira integrada.

A história de 1916 também mostra isso. Santos Dumont ganhou o protagonismo histórico, mas sua passagem pelas Cataratas só aconteceu porque houve a iniciativa de Frederico Engel e de moradores que enxergaram no visitante ilustre uma oportunidade para apresentar o destino.

Um legado que continua em movimento

Celebrar os 110 anos do turismo no Paraná, portanto, não significa apenas olhar para trás. A história de Santos Dumont serve como ponto de partida para refletir sobre o futuro de um setor que se tornou estratégico para o desenvolvimento estadual.

Das antigas trilhas percorridas a cavalo às modernas campanhas internacionais de promoção turística, o Paraná transformou sua maneira de receber visitantes. As Cataratas continuam sendo uma das principais portas de entrada, mas hoje dividem espaço com uma extensa variedade de experiências espalhadas por todas as regiões.

O desafio para os próximos anos será transformar o crescimento em desenvolvimento sustentável, ampliar a permanência dos visitantes, distribuir o fluxo por diferentes destinos e fortalecer ainda mais a profissionalização da cadeia turística.

Em 1916, Santos Dumont percorreu centenas de quilômetros para convencer o governo a preservar uma das maiores maravilhas naturais do planeta. Em 2026, 110 anos depois, o Paraná celebra uma atividade que nasceu simbolicamente daquele episódio e que agora movimenta milhões de visitantes, bilhões de reais e milhares de empregos.

A viagem que começou com um homem a cavalo em direção a Curitiba acabou ajudando a construir uma das histórias mais emblemáticas do turismo brasileiro.

Fonte: Assessoria de Imprensa

Turismo Mercosul

Fuente de esta noticia: https://turismomercosul.com.br/110-anos-de-turismo-no-parana-como-santos-dumont-ajudou-a-colocar-as-cataratas-do-iguacu-no-mapa/

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