Brasil: mais de mil caminhoneiros ficam retidos pela neve na Cordilheira dos Andes entre Argentina e Chile

Brasil: mais de mil caminhoneiros ficam retidos pela neve na Cordilheira dos Andes entre Argentina e Chile

Mais de mil caminhoneiros brasileiros estão entre os motoristas retidos pela forte nevasca que atingiu a região da Cordilheira dos Andes, na fronteira entre Argentina e Chile. Alguns profissionais enfrentam a situação há semanas, com caminhões parados, estradas cobertas de neve e dificuldades para manter uma rotina normal enquanto aguardam condições seguras para continuar a viagem.

A situação atingiu principalmente os corredores utilizados pelo transporte internacional de cargas entre os dois países. A neve bloqueou trechos das rodovias e impediu durante vários dias a circulação normal, formando longas filas de caminhões e provocando atrasos nas entregas.

Entre os brasileiros afetados está o caminhoneiro Eduardo Ferlin, que saiu de Lajeado, no Rio Grande do Sul, com destino a Santiago, no Chile. O veículo transportava carne suína e permaneceu parado por mais de um mês em território argentino. Segundo o motorista, o caminhão ficou estacionado próximo a um posto de combustível, onde ele conseguiu manter em funcionamento os equipamentos necessários para conservar a carga.

O longo período de espera transformou os próprios caminhões em locais de permanência para os motoristas. Alguns profissionais estão há mais de 30 dias longe de casa, enfrentando frio intenso e incerteza sobre quando poderão completar o percurso.

A situação não envolve somente brasileiros. Caminhões argentinos e chilenos também estão retidos, aumentando significativamente o tamanho da fila e pressionando a estrutura disponível para atender os motoristas.

Com uma melhora temporária das condições meteorológicas, as autoridades começaram a permitir a retomada gradual do trânsito. A prioridade está sendo dada aos veículos de carga para tentar reduzir o congestionamento acumulado durante as semanas de bloqueio.

A reabertura, entretanto, não significa que o problema esteja resolvido. Uma nova nevasca está prevista para atingir a região nos próximos dias, o que aumenta a preocupação entre os caminhoneiros e as empresas de transporte.

A situação é especialmente delicada porque a travessia da Cordilheira depende de condições climáticas muito específicas. Mesmo depois que a neve deixa de cair, o acúmulo sobre a pista, o gelo, os ventos fortes e a baixa visibilidade podem impedir a circulação durante vários dias.

Em alguns trechos, equipes responsáveis pela manutenção das estradas precisam retirar grandes volumes de neve antes de permitir novamente o trânsito. A operação também precisa levar em consideração o risco de avalanches e a possibilidade de novos bloqueios.

O problema já ultrapassou a dimensão de um simples congestionamento de fronteira. Caminhões parados durante semanas representam aumento dos custos de combustível, alimentação e manutenção, além de atrasos nas entregas e prejuízos para empresas que dependem do corredor internacional.

Para os motoristas, entretanto, o impacto é ainda mais direto. Muitos precisam administrar cuidadosamente os alimentos e a água disponíveis, encontrar locais para higiene e manter o caminhão funcionando em condições de frio extremo.

Em alguns pontos, autoridades e organizações locais passaram a fornecer água potável e refeições aos caminhoneiros, oferecendo uma ajuda importante enquanto as estradas permanecem bloqueadas.

O cenário também mostra a importância estratégica da Cordilheira dos Andes para o comércio sul-americano. As passagens entre Argentina e Chile são utilizadas diariamente por milhares de veículos que transportam alimentos, peças industriais, veículos, máquinas e outros produtos destinados aos mercados do Pacífico.

Quando essas rotas ficam fechadas por períodos prolongados, o impacto se espalha pela cadeia logística de vários países, porque a carga não consegue chegar ao destino e os veículos permanecem indisponíveis para novas viagens.

A situação enfrentada agora também reacende a discussão sobre a infraestrutura disponível para receber grandes volumes de caminhões durante emergências climáticas. Quando uma passagem internacional permanece fechada por semanas, a quantidade de veículos acumulados ultrapassa rapidamente a capacidade normal dos estacionamentos e pontos de apoio.

Para os caminhoneiros brasileiros, a expectativa é que a janela de melhora do tempo permita reduzir gradualmente a fila antes da chegada de uma nova frente de neve.

O relógio, porém, corre contra os motoristas: quanto maior for o volume de caminhões liberados antes da próxima nevasca, maior será a possibilidade de diminuir o congestionamento acumulado. Se as condições voltarem a piorar, novos bloqueios poderão interromper novamente a travessia.

A crise na Cordilheira dos Andes mostra, mais uma vez, como fenômenos climáticos extremos podem afetar diretamente o transporte e o comércio entre os países sul-americanos. Para centenas de caminhoneiros, a viagem que deveria durar alguns dias transformou-se em semanas de espera dentro dos próprios veículos, longe de suas famílias e sem uma previsão definitiva de normalização.

A prioridade agora é aproveitar a melhora temporária do clima para retirar os caminhões retidos da zona de maior risco. A possibilidade de uma nova nevasca, entretanto, mantém a situação em alerta e pode determinar se a travessia entre Argentina e Chile finalmente será normalizada ou se milhares de veículos voltarão a ficar presos no gelo.

 

Redacción Central

Fuente de esta noticia: https://prensamercosur.org/2026/08/21/brasil-mais-de-mil-caminhoneiros-ficam-retidos-pela-neve-na-cordilheira-dos-andes-entre-argentina-e-chile/

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