O Rio de Janeiro acaba de ganhar um daqueles shows que já nascem com cara de acontecimento: System of a Down e Faith No More vão dividir o palco do Maracanã em 15 de janeiro de 2027, em uma apresentação única no Brasil. O encontro marca ainda o retorno do Faith No More aos palcos depois de quase dez anos e coloca lado a lado duas bandas que ajudaram a moldar o rock pesado e alternativo que continua conquistando fãs jovens décadas depois.
Tem show que é anunciado e a gente pensa: “legal, depois eu vejo”. E tem show que faz imediatamente todo mundo começar a calcular passagem, hotel, ingresso e até como explicar o rombo no cartão. System of a Down com Faith No More no Maracanã está claramente na segunda categoria.
O evento foi batizado de “One Night Only”, e o nome não é exagero. Até o momento, a apresentação do Rio é anunciada como a única passagem das duas bandas pela América do Sul nessa etapa, o que transforma o Maracanã no ponto de encontro obrigatório para quem acompanha esse universo musical.
A data é 15 de janeiro de 2027, em pleno verão carioca. E existe uma combinação quase perfeita nessa história: uma banda que continua extremamente popular entre jovens, outra que está voltando depois de um longo silêncio e um estádio que já recebeu alguns dos maiores acontecimentos musicais do Brasil.
Não é simplesmente mais um show internacional.
É uma noite de reencontro entre gerações.
System of a Down volta ao Brasil rapidamente, mas agora com outra história
Para o System of a Down, o Brasil não é exatamente território desconhecido. A banda esteve no país em 2025, quando passou por São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro durante sua excursão latino-americana.
A nova apresentação, porém, tem uma diferença enorme.
Desta vez, o SOAD divide o palco com o Faith No More.
E isso muda completamente o peso da noite.
O System of a Down surgiu nos Estados Unidos nos anos 1990, formado por Serj Tankian, Daron Malakian, Shavo Odadjian e John Dolmayan, e rapidamente construiu uma identidade que nunca coube perfeitamente em uma única categoria.
Metal?
Sim.
Rock alternativo?
Também.
Hardcore, punk, elementos da música armênia, humor, crítica política e mudanças bruscas de ritmo?
Tudo isso cabe.
E talvez seja justamente essa mistura que explique por que a banda continua tão atraente para um público jovem.
Uma música pode ser pesada sem ser previsível
Esse é um dos segredos do System of a Down.
Você pode estar ouvindo uma passagem extremamente pesada e, alguns segundos depois, encontrar uma mudança completamente inesperada.
Serj Tankian pode sair de um vocal melódico para um grito quase teatral, enquanto Daron Malakian transforma a guitarra em uma espécie de montanha-russa sonora.
Essa imprevisibilidade ajudou o grupo a se diferenciar de outras bandas de metal que surgiram na mesma época.
E há outro detalhe: as letras frequentemente tratam de guerra, política, consumo, desigualdade, violência e questões sociais, mas sem abandonar o sarcasmo e o absurdo.
É música pesada, mas também é música que quer conversar.
Por isso, não é raro alguém chegar ao System of a Down por uma música conhecida e depois descobrir que existe uma camada muito maior por trás daquele som.
“Chop Suey!” virou uma espécie de patrimônio da internet
Se existe uma música do System of a Down que conseguiu escapar completamente das fronteiras do rock pesado, é “Chop Suey!”.
A faixa foi lançada em 2001 e se tornou um dos grandes sucessos da banda.
Mas o curioso é que sua vida não terminou nas rádios ou nos CDs.
Décadas depois, “Chop Suey!” continuou aparecendo em memes, vídeos, covers, desafios, playlists, vídeos de reação e conteúdos de redes sociais.
Ou seja: uma música que nasceu em uma época em que o CD ainda dominava o mercado encontrou uma nova vida na era dos vídeos curtos.
Isso ajuda a explicar por que tanta gente jovem conhece o System of a Down sem necessariamente ter qualquer ligação com a cena do rock dos anos 2000.
A música chegou até eles pelo celular.
E, quando uma pessoa descobre “Chop Suey!”, muitas vezes a próxima etapa é inevitável: “Toxicity”, “Aerials”, “B.Y.O.B.” e o restante do catálogo.
Faith No More está voltando depois de quase uma década
Agora vem a parte que deixa esse anúncio ainda mais especial.
Faith No More está retornando aos palcos depois de quase dez anos.
A última apresentação da banda aconteceu em agosto de 2016, no encerramento da turnê do álbum “Sol Invictus”. Desde então, o grupo permaneceu afastado dos palcos.
Para uma banda que marcou profundamente o rock alternativo, isso significa um retorno aguardado por uma geração inteira.
E aqui acontece algo curioso.
Muita gente que vai assistir ao Faith No More em 2027 provavelmente não teve oportunidade de vê-los ao vivo antes.
Alguns nem sequer eram adolescentes em 2016.
Outros talvez ainda nem conhecessem a banda.
E existe uma terceira parcela que descobriu Faith No More justamente depois do hiato.
Mais uma vez, a internet entra na história.
Mike Patton continua sendo uma figura completamente fora da curva
Falar de Faith No More sem mencionar Mike Patton seria praticamente impossível.
O vocalista construiu uma reputação que vai muito além da banda.
Patton ficou conhecido por sua enorme extensão vocal, capacidade de mudar completamente de registro e disposição para experimentar estilos que vão do rock ao metal, passando por música experimental, trilhas sonoras e projetos extremamente particulares.
Ele também construiu uma carreira paralela tão diversificada que, para alguns fãs, Faith No More é apenas uma parte de seu universo musical.
E talvez seja justamente isso que torne seu retorno tão interessante.
Mike Patton não é um cantor que costuma fazer exatamente aquilo que o público espera.
Isso é uma boa notícia para um show.
“Epic” ainda tem aquele efeito de “como alguém inventou isso?”
Se existe uma música do Faith No More que provavelmente fará o Maracanã inteiro cantar, é “Epic”.
Lançada em 1989 no álbum “The Real Thing”, a música ajudou a colocar a banda em uma posição completamente diferente dentro da cena internacional.
A faixa mistura rock, metal, funk, rap e uma estrutura que parece não obedecer às regras tradicionais de nenhum desses gêneros.
E o videoclipe também ajudou a transformar “Epic” em um clássico.
A música é daquele tipo que pode ser reconhecida mesmo por quem não sabe o nome da banda.
Começa a tocar e alguém sempre reage.
E existe uma ligação interessante entre as duas bandas
System of a Down e Faith No More não são iguais.
Na verdade, musicalmente, são bastante diferentes.
Mas existe uma linha que conecta as duas: nenhuma delas construiu sua identidade seguindo uma fórmula confortável.
Faith No More ajudou a abrir caminho para uma geração de bandas que misturavam metal, funk, punk, rap e rock alternativo.
O System of a Down pegou essa liberdade e levou a mistura para outro território.
É como se uma geração tivesse aberto a porta e outra tivesse entrado correndo.
Por isso, colocá-los no mesmo palco faz bastante sentido.
O curioso é que as duas bandas falam com públicos diferentes — e iguais
Faith No More nasceu nos anos 1980.
System of a Down chegou ao grande público nos anos 1990 e 2000.
Se você olhar apenas para a cronologia, poderia imaginar que o público seria completamente diferente.
Só que não é.
Um jovem que descobre System of a Down hoje pode perfeitamente acabar chegando a Faith No More amanhã.
É uma espécie de árvore genealógica musical.
O algoritmo recomenda uma banda.
A plataforma mostra artistas semelhantes.
Um vídeo cita uma influência.
Um músico faz um cover.
Uma playlist coloca duas bandas lado a lado.
E pronto.
Uma pessoa que começou ouvindo SOAD acaba descobrindo Mike Patton.
O retorno do Faith No More também tem um sabor de “isso realmente está acontecendo?”
A banda passou quase dez anos longe dos palcos.
Isso significa que o retorno não é apenas mais uma etapa de uma turnê convencional.
Para muitos fãs, será a primeira oportunidade em muito tempo de ver Faith No More novamente em um palco.
E o fato de o primeiro grande retorno brasileiro acontecer ao lado do System of a Down deixa tudo ainda mais interessante.
É como se duas gerações do rock alternativo resolvessem se encontrar na mesma noite.
E o Maracanã não é um detalhe
O local escolhido também dá uma dimensão especial ao evento.
O Maracanã, no Rio de Janeiro, é um dos estádios mais simbólicos do Brasil e já recebeu alguns dos maiores espetáculos musicais da história do país.
Agora, em janeiro de 2027, o gramado e as arquibancadas receberão uma combinação bem diferente do futebol.
Guitarras distorcidas, bateria pesada, Mike Patton, Serj Tankian e dezenas de milhares de fãs.
Não parece exatamente uma noite tranquila.
E provavelmente esse é o objetivo.
O nome “One Night Only” aumenta ainda mais a expectativa
A expressão significa literalmente “uma única noite”.
No caso desse evento, ela ganha ainda mais força porque não há outras apresentações anunciadas na América do Sul.
Para o público brasileiro, isso cria aquela velha sensação de:
“Se eu não for, não tenho outra data para tentar.”
A pré-venda começa em 19 de agosto de 2026 para clientes Itaú Private Bank e Itaú Personnalité, passa para outros clientes Itaú em 20 de agosto e chega ao público geral em 21 de agosto, ao meio-dia.
Os ingressos anunciados variam de aproximadamente R$ 545 a R$ 1.995, enquanto pacotes VIP chegam a R$ 2.790.
É um investimento considerável, sem dúvida.
E as reações nas redes sociais já mostram que o preço virou parte da conversa entre os fãs, com opiniões bastante divididas.
O encontro também mostra como o rock não desapareceu — ele mudou de endereço
Durante anos, muita gente repetiu que o rock estava morrendo.
Talvez ele apenas tenha mudado de lugar.
Hoje, uma banda pode ter milhões de reproduções sem dominar necessariamente as rádios tradicionais.
Pode ter fãs que nunca compraram um CD.
Pode ter público que conhece primeiro uma música pelo TikTok e só depois descobre o álbum inteiro.
Pode passar décadas da formação e ainda encontrar adolescentes entre seus ouvintes.
System of a Down e Faith No More são bons exemplos dessa transformação.
As duas bandas nasceram em momentos diferentes, mas continuam circulando entre gerações.
E existe uma curiosidade especialmente interessante sobre o público jovem
A geração atual não necessariamente separa música por década.
Para um adolescente ou jovem adulto, uma playlist pode colocar System of a Down, Billie Eilish, Nirvana, Linkin Park, Deftones, Queen e um artista brasileiro contemporâneo em sequência.
Não existe uma regra dizendo que tudo precisa ter sido lançado no mesmo período.
Isso muda completamente a forma como os clássicos sobrevivem.
Uma banda de 1989 pode aparecer ao lado de uma artista de 2026 sem que ninguém ache estranho.
O calendário deixou de ser uma barreira musical.
E talvez seja por isso que Faith No More consiga voltar depois de quase dez anos e ainda encontrar um público curioso.
Há também uma história de influência aí
Faith No More ajudou a criar um ambiente no qual bandas podiam misturar gêneros sem medo de serem acusadas de “não pertencer” a nenhum lugar.
O System of a Down levou essa liberdade adiante.
Hoje, essa mistura parece absolutamente normal.
Rock com rap.
Metal com eletrônico.
Funk com pop.
Música latina com hip-hop.
Mas, quando Faith No More começou a fazer isso em grande escala, a combinação ainda era muito menos comum no mainstream.
O System of a Down apareceu depois em um cenário que já estava mais preparado para esse tipo de experiência.
E o que pode acontecer no Maracanã?
Essa é a parte que ainda ninguém sabe.
O repertório oficial completo do show não foi divulgado.
Mas existe uma expectativa óbvia de que o System of a Down apresente músicas como “Chop Suey!”, “Toxicity”, “Aerials”, “B.Y.O.B.” e “Sugar”.
Do lado do Faith No More, a torcida provavelmente espera “Epic”, “Midlife Crisis”, “Easy”, “Ashes to Ashes” e “Last Cup of Sorrow”.
Se essas músicas aparecerem, o público terá uma espécie de viagem por mais de três décadas de rock alternativo.
E se as bandas resolverem preparar alguma surpresa?
Bem…
É justamente para isso que existem shows únicos.
Uma noite para quem viveu e para quem descobriu depois
Talvez essa seja a melhor maneira de resumir o anúncio.
Para quem acompanhou Faith No More nos anos 1980 e 1990, será uma oportunidade de reencontro.
Para quem viu System of a Down crescer nos anos 2000, será mais uma passagem de uma banda que continua enorme.
Para quem descobriu as duas bandas nos últimos anos, será uma chance de ver ao vivo artistas que, até pouco tempo atrás, pertenciam apenas às playlists e aos vídeos antigos.
Três gerações podem acabar cantando as mesmas músicas no mesmo estádio.
E isso é uma das coisas mais legais que a música consegue fazer.
No fim, pouco importa se alguém nasceu em 1970, 1990 ou 2005.
Quando começa “Epic”, “Chop Suey!” ou “Toxicity”, a idade deixa de ser importante.
O que importa é reconhecer aquela música.
E cantar.
Bem alto.
E para continuar essa viagem pelos grandes nomes do rock, a Rádio Mercosur também reúne uma ampla coleção musical onde clássicos e novas gerações convivem no mesmo espaço. Para quem quiser entrar no clima dessa noite histórica, vale reencontrar três grandes sucessos do System of a Down — “Chop Suey!”, “Toxicity” e “Aerials” — e deixar o som preparar o caminho para o encontro com Faith No More no Maracanã. Porque algumas músicas atravessam décadas, mudam de público e continuam encontrando novas vozes para cantá-las.









